quinta-feira, 8 de março de 2012

LIVROS RECOMENDADOS


por
compilada por Felipe Sabino de Araújo Neto

A lista abaixo é uma separação de livros, separados por categorias, que altamente recomendamos aqui no monergismo. Tentamos selecionar livros que são compreensivamente bíblico, exegeticamente e doutrinariamente sãos, e que comovam a alma em devoção a Deus. Esteja certo de que você encontrará aqui muita coisa que é tanto valiosa para a sua alma como útil para a promoção do reino de Deus. Clique no link para comprar e/ou ler.
Esta lista é uma Obra em Progresso (atualizada em 21/05/2005)

Clássicos Cristãos
Confissões - Agostinho
A Cidade de Deus Parte 1 - Parte 2 - Agostinho
O Progresso do Peregrino - John Bunyan
Peso de Glória - C. S. Lewis
Um Guia Seguro para o Céu - Joseph Alleine


Aconselhamento

Conselheiro Capaz - Jay E. Adams
Depressão Espiritual - David Martyn Lloyd-Jones
Manual do Conselheiro Cristão - Jay E. Adams

Alegoria
As Guerras da Famosa Cidade de AlmaHumana - John Bunyan
Guerra Santa
- John Bunyan
O Progresso do Peregrino - John Bunyan

Antropologia: Doutrina do Homem

Criados à Imagem de Deus - Anthony Hoekema


Apologéticos

A Morte da Razão - Francis Schaeffer
Cristianismo e Liberalismo
- J. Gresham Machen
Deus e Cosmos - John Byl
Fundamentos Inabaláveis - Norman Geisler
Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e Contradições da Bíblia - Norman Geisler
O Deus que Intervém - Francis Schaeffer
O Deus que Se Revela - Francis Schaeffer

Avivamento

Avivamento - David Martyn Lloyd-Jones
A Genuína Experiência Espiritual
- Jonathan Edwards
A Verdadeira Obra do Espírito - Jonathan Edwards


A Pessoa de Cristo

A Glória de Cristo - John Owen
A Glória de Cristo - R.C. Sproul
As Duas Naturezas do Redentor - Heber Carlos de Campos
Deus o Pai, Deus o Filho - David Martyn Lloyd-Jones
Um Homem Chamado Jesus Cristo - John Piper



A Trindade

A Trindade - Agostinho
Eu Creio no Pai, no Filho e no Espírito Santo - Hermisten Maia Pereira da Costa

Batalha Espiritual
O Que Você Precisa Saber Sobre Batalha Espiritual - Augustus Nicodemus Grudem
Biografia

A Vida de David Brainerd - Jonathan Edwards
Calvino e Sua Influência no Mundo Ocidental - Autores Diversos
D. Martyn Lloyd-Jones: Cartas de 1919-1981
- David Martyn Lloyd-Jones
De Traficante de Escravos a Pregador: A História de John Newton - Brian H. Edwards
Lutero - Editora Vida
O Legado da Soberana Graça - John Piper

O Livro de Paulo - Walter Wangerin
O Spurgeon que foi Esquecido - Iain Murray
O Sorriso Escondido de Deus - John Piper (sobre John Bunyan, William Cowper e David Brainerd)
Surpreendido pela Alegria - C. S. Lewis


Casamento, Paternidade & Família
A Bíblia e a Sua Família - Augustus Nicodemus
A Família da Aliança - Gerard Van Groningen
A Graça que vem do Lar - Susan Hunt
A Soberana Vocação da Maternidade - Walter J. Chantry
A Vida Cristã no Lar - Jay E. Adams
Homem e Mulher - John Piper e Wayne Grudem
Pastoreando o Coração da Criança - Tedd Tripp
Vida no Espírito: no casamento, no lar e no trabalho - David Martyn Lloyd-Jones


Crianças

As Crônicas de Nárnia - C. S. Lewis
Cosmovisão Cristã
Calvinismo - Abraham Kuyper
E agora, como Viveremos? - Charles Colson & Nancy Pearcey

Cultura
Calvinismo - Abraham Kuyper
Como Viveremos? - Francis Schaeffer
E agora, como Viveremos? - Charles Colson & Nancy Pearcey
O Cristão e a Cultura - Michael Horton

Devocionais

Meditações no Evangelho de João - J. C. Ryle
Meditações no Evangelho de Mateus - J. C. Ryle
Meditações no Evangelho de Marcos - J. C. Ryle
Meditações Matinais - Charles H. Spurgeon
Promessas Preciosas - Charles H. Spurgeon


Doutrina das Escrituras

A Inerrância da Bíblia - Norman Geisler
A Inspiração e Inerrância das Escrituras - Hermisten Maia Pereira da Costa
O Livro de Deus - Walter Wangerin
O Conhecimento das Escrituras - R. C. Sproul
Sola Scriptura - Joel Beeke, Sproul, MacArthur, Michael Horton, Ferguson e outros

Doutrina da Salvação

A Cruz - Martyn Lloyd-Jones
A Cruz de Cristo - John Stott
As Doutrinas da Maravilhosa Graça - Michael Horton
Justificação pela Fé - Joel Beeke, R. C. Sproul, John MacArthur e J.I. Packer. O Evangelho de Hoje: Autêntico ou Sintético? - Walter Chantry
Salvos pela Graça - Anthony Hoekema
Tudo pela Graça - Charles H. Spurgeon


Doutrina da Santificação


A Redescoberta da Santidade - J. I. Packer
Cultivando a Santidade - J. C. Ryle/ Joel Beeke
O Caminho de Deus para a Santidade - Horatius Bonar
Santidade, Sem a qual Ninguém Verá o Senhor - J. C. Ryle

Doutrinas da Graça

A Busca da Plena Segurança - Joel Beeke
A Doutrina da Graça na Vida Prática - Terry Johnson
Cinco Pontos do Calvinismo - David Steele & Curtis Thomas (online)
Somente pela Graça - Abraham Booth
Sola Gratia: A Controvérsia sobre o Livre-Arbítrio na História - R. C. Sproul

Doutrinas da Humanidade & Pecado
A Tentação/A Mortificação do Pecado - John Owen
Nascido Escravo
- Martinho Lutero Não Era para Ser Assim - Cornelius Plantinga
O Mal que Habita em Mim - Kris Lundgaard
Sociedade sem Pecado - John MacArthur


Ética

Ética Cristã - Norman Geisler

Evangelismo e Missões
A Evangelização e a Soberania de Deus - J.I. Packer
Alegram-se os Povos
- John Piper
A Tocha dos Puritanos - Joel Beeke
Breve Teologia da Evangelização - Hermisten Maia Pereira da Costa
Evangelização Teocêntrica - R.B. Kuiper
O Conquistador de Almas - Charles H. Spurgeon
Sermões Evangelísticos - David Martyn Lloyd-Jones


Escatologia - Doutrina das Últimas Coisas

A Bíblia e o Futuro - Anthony Hoekema
Apocalipse - Simon Kistemaker
As Interpretações do Apocalipse - Coleção Debates Teológicos
A Igreja e as Últimas Coisas - David Martyn Lloyd-Jones
Mais que Vencedores - William Hendriksen
O Maior de Todos os Acontecimentos - W. J. Grier

Espírito Santo

A Obra do Espírito Santo - Abraham Kuyper (online)
Batismo e Plenitude do Espírito Santo - John Stott
Deus o Espírito Santo
- David Martyn Lloyd-Jones
Espírito Santo - Sinclair Ferguson
O Mistério do Espírito Santo - R.C. Sproul

Evangelicalismo Moderno

Com Vergonha do Evangelho - John MacArthur
Controvérsia Não Resolvida
- Iain Murray

Feminismo
Homem e Mulher - John Piper e Wayne Grudem

Filosofia


Introdução à Filosofia para Iniciantes - Norman Geisler
Filosofia e Teologia do Século XX
- Túlio Jansey
Filosofia para Iniciantes
- R. C. Sproul
Pensamentos de Pascal - Tony Lane
Pensamento Cristão: da Reforma à Modernidade - Tony Lane
Pensamento Cristão: dos Primórdios à Idade Média
- Tony Lane
Harmonia Racial

História Teológica

A Teologia do Século XX - Stanley J. Grenz & Roger E. Olson
Dois Reinos - Robert G. Clouse, Richard V. Pierard e Edwin M. Yamauchi
História das Doutrinas Cristãs - Louis Berkhof
História da Teologia Cristã - Roger E. Olson
História Eclesiástica - Eusébio de Cesaréia
O Livro dos Mártires - John Fox


Homossexualidade

Operação do Erro - Joe Dallas


Igreja
O Glorioso Corpo de Cristo - R.B. Kuiper (online)
O Sistema de Apelo
- Ian Murray

Interpretação Bíblia
A Bíblia e seus Intérpretes - Augustus Nicodemus
Ele nos deu Histórias
- Richard L. Pratt
Entendês o que Lês? - Gordon Fee e Douglas Stuart
Introdução ao Novo Testamento
- D. A. Carson, Douglas J. Moo e Leon Morris
Merece Confiança o Novo Testamento? - F. F. Bruce
Os Perigos da Interpretação Bíblica - D. A. Carson

Jovens
Cada um na Sua - R. C. Sproul
Uma Palavra aos Moços - J.C. Ryle


Lei & Evangelho

A Lei da Perfeita Liberdade - Michael Horton
A Lei: suas funções e seus limites - David Martyn Lloyd-Jones
Lei e Evangelho - Coleção Debates Teológicos
Lei e Graça
- Mauro Meister


Ministério

Lições aos Meus Alunos - Volume 1 - Charles Spurgeon
Lições aos Meus Alunos - Volume 2 - Charles Spurgeon
Lições aos Meus Alunos - Volume 3 - Charles Spurgeon
O Pastor Aprovado - Richard Baxter
Pregação & Pregadores
- David Martyn Lloyd-Jones
Redescobrindo o Ministério Pastoral - John MacArthur
Um Ministério Ideal - Volume 1 - Charles Spurgeon
Um Ministério Ideal - Volume 1 - Charles Spurgeon

Oração e Jejum
A Oração - John Bunyan (online)
Um Guia para a Oração Fervente - Arthur W. Pink (online)
O Livro de Ouro da Oração
- João Calvino
Orar com Deus - James Houston

Os Atributos de Deus

Atributos de Deus - Arthur Pink
A Santidade de Deus - R. C. Sproul
O Ser de Deus e os Seus Atributos - Heber Carlos de Campos

Os Puritanos
Entre os Gigantes de Deus - J. I. Packer
Santos no Mundo
- Leland Ryken
Os Puritanos: origens e sucessores - David Martyn Lloyd-Jones
Os Puritanos e a Conversão - Samuel Bolton, Nathaniel Vincent e Thomas Watson.


Pacto Teológico


Cristo dos Pactos - O. Palmer Robertson

Pentecostalismo

Não é para Rir - Stanley Jebb
Sinas dos Apóstolos
- Walter J. Chantry

Pregação
A Supremacia de Deus na Pregação - John Piper
Eu Creio na Pregação - John Stott
O Perfil do Pregador
- John Stott
Pregação Cristocêntrica - Bryan Chapell
Sobre a Preparação e Entrega de Sermões - John A. Broadus
Providência e Predestinação
A Doutrina Reformada da Predestinação - Loraine Boettner (online)
A Soberania Banida - R. K. Mc Gregor Wright
Deus é Soberano - Arthur Pink
Eleitos de Deus - R. C. Sproul
Se Deus Quiser - John Flavel
O Ser de Deus e as Suas Obras: A Providência
- Heber Carlos de Campos
O Soberano Propósito de Deus: Romanos 9 - David Martyn Lloyd-Jones
O Supremo Propósito de Deus: Efésios 1 - David Martyn Lloyd-Jones



Soberania Divina e Responsabilidade Humana

A Evangelização e a Soberania de Deus - J.I. Packer

Pós-Modernismo

A Igreja do Final do Século XX - Francis Schaeffer
Como Viveremos?
- Francis Schaeffer
E agora, como Viveremos? - Charles Colson & Nancy Pearcey
Fim de Milênio: os Perigos e Desafios da Pós-Modernidade na Igreja - Ricardo Gondim

Seitas & Heresias


A Ameaça Pagã - Peter Jones
Espiritismo Segundo o Evangelho - Caio Fábio
O Império (Gnóstico) Contra-Ataca - Samuel Vieira
O Mistério Católico - John Armstrong
Resposta às Seitas
- Norman Geisler e Ron Rhodes
Tudo sobre Catolicismo - Tony Armani

Sofrimento
Deus e o Mal - John Piper
Deus Sabe que Sofremos
- Philip Yancey
Surpreendido pelo Sofrimento - R. C. Sproul
O Poder do Sofrimento
- John MacArthur
O Sorriso Escondido de Deus - John Piper

Teologia Geral

Boa Pergunta
- R. C. Sproul
Pai Nosso - Hermisten Maia Pereira da Costa

Teologia Sistemática

Esboços de Teologia
- A. A. Hodge
Manual de Teologia - John L. Dagg Teologia Concisa: Um Guia para as Crenças Cristãs Históricas - J. I. Packer
Teologia Sistemática
- Charles Hodge
Teologia Sistemática
- Hermann Bavinck
Teologia Sistemática
- Louis Berkhof
Teologia Sistemática - Wayne Grudem

Trabalho e Lazer

Vida Piedosa: Crescimento na Graça
A Fome da Alma - James Houston
A Procura de Deus
- A. W. Tozer
A Verdadeira Espiritualidade - Francis Schaeffer
A Verdadeira Espiritualidade - Francis Schaeffer
Como Viver e Agradar a Deus - R. C. Sproul
Estudos no Sermão do Monte - David Martyn Lloyd-Jones
O Segredo da Vida ao Pé da Cruz - C. J. Mahaney
Teologia da Alegria - John Piper
Vivendo com o Deus Vivo - John Owen


Sugestões: http://www.monergismo.com/textos/batismo/felipe@monergismo.com


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A DECLARAÇÃO DE CAMBRIDGE

As igrejas evangélicas de hoje estão cada vez mais dominadas pelo espírito deste século em vez de pelo Espírito de Cristo. Como evangélicos, nós nos convocamos a nos arrepender desse pecado e a recuperar a fé cristã histórica.
No decurso da História, as palavras mudam. Na época atual isso aconteceu com a palavra evangélico. No passado, ela serviu como elo de união entre cristãos de uma diversidade ampla de tradições eclesiásticas. O evangelicalismo histórico era confessional. Acolhia as verdades essenciais do Cristianismo conforme definidas pelos grandes concílios ecumênicos da Igreja. Além disso, os evangélicos também compartilhavam uma herança comum nos "solas" da Reforma Protestante do século 16.
Hoje, a luz da Reforma já foi sensivelmente obscurecida. A conseqüência foi a palavra evangélico se tornar tão abrangente a ponto de perder o sentido. Enfrentamos o perigo de perder a unidade que levou séculos para ser alcançada. Por causa dessa crise e por causa do nosso amor a Cristo, seu evangelho e sua igreja, nós procuramos afirmar novamente nosso compromisso com as verdades centrais da reforma e do evangelicalismo histórico. Nós afirmamos essas verdades e não pelo seu papel em nossas tradições, mas porque cremos que são centrais para a Bíblia.

SOLA SCRIPTURA: A Erosão da Autoridade
Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja, mas a igreja evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a igreja é guiada, por vezes demais, pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes tem mais voz naquilo que a igreja quer, em como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.
Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da igreja.
A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensino, não a expressão de opinião ou de idéias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.
A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.

Tese 1: Sola Scriptura
Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.
Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.

SOLO CHRISTUS: A Erosão da Fé Centrada em Cristo
À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.

Tese 2: Solo Christus
Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.
Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.
SOLA GRATIA: A Erosão do Evangelho
A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída. Esta falsa confiança enche hoje o mundo evangélico – desde o evangelho da auto-estima até o evangelho da saúde e da prosperidade, desde aqueles que já transformaram o evangelho num produto vendável e os pecadores em consumidores e aqueles que tratam a fé cristã como verdadeira simplesmente porque funciona. Isso faz calar a doutrina da justificação, a despeito dos compromissos oficiais de nossas igrejas.
A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.

Tese 3: Sola Gratia
Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.
Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.
SOLA FIDE: A Erosão do Artigo Primordial
A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.
Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do evangelho como o é a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas freqüentemente desaparecem, divorciadas do trabalho do ministério. A orientação publicitária de marketing em muitas igrejas leva isso mais adiante, apegando a distinção entre a Palavra bíblica e o mundo, roubando da cruz de Cristo a sua ofensa e reduzindo a fé cristã aos princípios e métodos que oferecem sucesso às empresas seculares.
Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele Ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.

Tese 4: Sola Fide
Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.
Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.
SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus
Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, o­nde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.
Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

Tese 5: Soli Deo Gloria
Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.
Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.

Um Chamado ao Arrependimento e à Reforma
A fidelidade da igreja evangélica no passado contrasta fortemente com sua infidelidade no presente. No princípio deste mesmo século, as igrejas evangélicas sustentavam um empreendimento missionário admirável e edificaram muitas instituições religiosas para servir a causa da verdade bíblica e do reino de Cristo. Foi uma época em que o comportamento e as expectativas cristãs diferiam sensivelmente daquelas encontradas na cultura. Hoje raramente diferem. O mundo evangélico de hoje está perdendo sua fidelidade bíblica, sua bússola moral e seu zelo missionário.
Arrependamo-nos de nosso mundanismo. Fomos influenciados pelos "evangelhos" de nossa cultura secular, que não são evangelhos. Enfraquecemos a igreja pela nossa própria falta de arrependimento sério, tornamo-nos cegos aos pecados em nós mesmo que vemos tão claramente em outras pessoas, e é indesculpável nosso erro de não falar às pessoas adequadamente sobre a obra salvadora de Deus em Jesus Cristo.
Também apelamos sinceramente a outros evangélicos professos que se tenham desviado da Palavra de Deus nos assuntos discutidos nesta declaração. Incluímos aqueles que declaram haver esperança de vida eterna sem fé explícita em Jesus Cristo, os que asseveram que quem rejeita a Cristo nesta vida será aniquilado em lugar de suportar o juízo justo de Deus pelo sofrimento eterno e os que dizem que os evangélicos e os católicos romanos são um em Jesus Cristo, mesmo quando a doutrina bíblica da justificação não é crida.
A Aliança de Evangélicos Confessionais pede que todos os crentes dêem consideração à implementação desta declaração no culto, ministério, política, vida e evangelismo da igreja.
Em nome de Cristo. Amém.

Aliança de Evangélicos Confessionais.
Cambridge, Massachusetts
20 de abril de 1996.
_______

Fonte:
REFORMA HOJE: Uma convocação feita pelos evangélicos confessionais. Autores: James M. Boice, Gene Edward Veith, Michael Horton, Sinclar Ferguson e outros. Editora Cultura Cristã



sábado, 11 de fevereiro de 2012

TEOLOGIA REFORMADA

www.teologiacalvinista.com  

Introdução 

A Teologia Reformada recebe seu nome da Reforma Protestante do século XVI, com suas ênfases teológicas distintas, mas é teologia solidamente baseada na própria Bíblia. Os crentes na tradição
reformada têm alta consideração às contribuições específicas como as de Martinho Lutero, Úlrico Zwinglio, Guillherme Farel, Jonh Knox e, particularmente, de João Calvino, mas eles também encontram suas fortes distinções nos gigantes da fé  que os antecederam, tais como Anselmo e Agostinho e principalmente nas cartas de Paulo e nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo.

Os Cristãos Reformados sustentam as doutrinas características de todos os cristãos, incluindo a Trindade,
a verdadeira divindade  e humanidade de Jesus Cristo, a necessidade do sacrifício de Jesus pelo  pecado,a Igreja como instituição divinamente estabelecida, ainspiração da Bíblia, a exigência para que os cristãos tenham uma vida reta, e a ressurreição do corpo. Eles sustentam outras doutrinas em comum com cristãos evangélicos, tais como justificação somente pela fé, a necessidade do novo nascimento, o retorno pessoal e visível de Jesus Cristo e a Grande Comissão.   

O que, então, é distinto a respeito da Teologia Reformada?

1. A Doutrina das Escrituras 

O compromisso da reforma para com a Escritura enfatiza a inspiração, autoridade e suficiência da Bíblia.
Uma vez que a Bíblia é a Palavra de Deus e, portanto, tem a autorida de do próprio Deus, os reformadores
afirmam que essa  autoridade é superior àquela de todos os  governos e de todas as hierarquias da Igreja. Essa convicção deu  aos crentes reformados a coragem para enfrentar a tirania e fez da teologia reformada uma força revolucionária na sociedade.

A suficiência das Escrituras significa que ela não necessita ser
suplementada por uma revelação nova ou especial. A Bíblia é o guia completamente suficiente para aquilo que nós devemos crer e para como nós devemos viver comocristãos.

Os Reformadores, em particular, JoãoCalvino, enfatizaram o modo  como a Palavra escrita, objetiva e o ministério interior, sobrenatural do Espírito Santo trabalham juntos, e o Espírito Santo iluminando a
Palavra para  o povo de Deus. A Palavra sem a iluminação  do  Espírito Santo mantém-se como um livro fechado. A suposta condução do Espírito sem a Palavra leva a erros excessos. Os Reformadores também insistiam sobre o direito de os crentes estudarem as Escrituras por si mesmos. Ainda que não negando o valor de mestres capacitados, eles compreenderam que a clareza das Escrituras em assuntos essenciais para a salvação torna a Bíblia propriedade de todo crente. Com esse direito de acesso, sempre vem a responsabilidade sobre a interpretação cuidadosa e precisa.  

                          Sola Scriptura (Somente as Escrituras) 

1. Princípios da Reforma: sola gratia, sola fides, solus Christus, sacerdócio universal dos fiéis, sola Scriptura.

2. Sola Scriptura: somente a Escritura é a suprema autoridade em matéria de vida e doutrina; só ela é o árbitro de todas as controvérsias (= a supremacia das Escrituras). Ela é a norma normanda ("norma determinante") e não a norma normata ("norma determinada") para todas as decisões de fé e vida.

3. A autoridade da Escritura é superior à da Igreja e da tradição. Contra a afirmação católica: "a igreja ensina" ou "a tradição ensina", os reformadores afirmavam: "a Escritura ensina."

4. A experiência pessoal dos reformadores com as Escrituras e com o Cristo revelado nas Escrituras.
Lutero: "Quando eu estava com 20 anos de idade, eu ainda não havia visto uma Bíblia. Eu achava que não existiam evangelhos ou epístolas exceto as que estavam escritas nas liturgias dominicais. Finalmente, encontrei uma Bíblia na biblioteca e leveia comigo para o mosteiro. Eu comecei a ler, reler e ler tudo
novamente, para grande surpresa do Dr. Staupitz."

5.  Para  os  reformadores,  a  Bíblia  não  era  um  livro  de 

doutrinas  e  proposições  a  serem  aceitas
intelectualmente ou mediante a autoridade daigreja, mas uma revelação direta, viva e pessoal de Deus, acessível a qualquer pessoa.

6. Daí a preocupação de colocar as Escrituras  nas línguas vernaculares. Lutero e sua tradução no castelo de Wartburgo. Calvino e sua introdução ao Novo Testamento francês de seu primo Robert Olivétan
(1535).


7. A autoridade das Escrituras é intrínseca: a Igreja
não confere autoridade às Escrituras, mas apenas a
reconhece. Essa autoridade decorre da origem divina das Escrituras. 

8.  Existem  evidências  internas  e  externas  da  inspiração  e  divina  autoridade  das  Escrituras, mas  estes atributos  não  são  passíveis  de  "prova."  A  única  evidência  que  importa  é  o  "testemunho  interno  do Espírito" no  coração do 
leitor. 
Ênfase de Calvino:  "A menos que haja  essa  certeza  [pelo  testemunho do Espírito],  que  é  maior  e  mais  forte  que  qualquer  juízo  humano,  será  fútil  defender  a  autoridade  da
Escritura  através  de  argumentos,  ou  apoiá-la  com  o  consenso  da  Igreja,  ou  fortalecê-lo  com  outros auxílios. 
A menos que seja 
posto este fundamento, ela sempre permanecerá incerta" (8.1.71). 

9. A Igreja não se coloca acima da Escritura pelo fato de ter definido

o seu cânon (Novo Testamento). A Igreja apenas reconheceu
que já  era aceito há muito  tempo pelos cristãos.
Paralelo: a observância do domingo  e  sua  oficialização  por  Constantino.  A  afirmação  de  que  a  igreja  estabeleceu  o  cânon  é verdadeira; mas o evangelho estabeleceu
a igreja, e a autoridade da Escritura não está no cânon, mas no
evangelho. 

10. Não  foi a  igreja que
formou a Escritura, mas vice-versa.
A Igreja está edificada "sobre o  fundamento dos  apóstolos  e  profetas"  (Ef  2:20),  ou  seja,  o  evangelho,  que  está  contido  nas  Escrituras  e  é  a  sua essência. 
Lutero:  a  igreja,  longe  de  ter  prioridade  sobre  a  Escritura,  é  na  realidade  uma  criação da Escritura, nascida do ventre da
Escritura. 
11. Por isso, Cristo é o centro e a chave das Escrituras (ênfase 
especial dos reformadores). A Escritura se
interpreta  a  si mesma  ("analogia  da  Escritura"),  sempre  à  luz  do  princípio  cristológico.  A mensagem
central da Bíblia, o evangelho, é a única chave para a 

interpretação bíblica. 

12. Essa ênfase cristocêntrica,  levou Lutero a estabelecer distinções entre os  livros da Bíblia. Nem todos
revelam a Cristo  com  igual  clareza. Os  evangelhos  e Paulo o  fazem de maneira profunda.  Já a  carta de
Tiago tem uma limitada ênfase cristológica ("epístola de palha"). 

13. A interpretação alegórica e os múltiplos sentidos atribuídos à 

Escritura, obscurecem a sua mensagem.
Os reformadores deram ênfase ao sentido comum, histórico-gramatical. 

14. Os "entusiastas" estavam errados ao apelarem para revelações 

diretas  fora das Escrituras. O Espírito
Santo é o autor último das Escrituras, o inspirador dos profetas e 

apóstolos. Ele não pode contradizer-se. 

15. Por outro lado, o "princípio do livre exame" não significa 

interpretar as Escrituras de modo subjetivo e
exclusivista. É preciso levar em conta a história e o testemunho da 

Igreja. Os reformadores não sentiram a
necessidade  de  abandonar  os  credos  do  cristianismo  antigo  e  o  testemunho  dos  Pais  da  Igreja.  Todos
estes, porém, devem ser julgados e avaliados pela Escritura. 

16. Lutero nada sabia de um conhecimento puramente objetivo, 

desinteressado ou erudito da Bíblia. "A Palavra de Deus é viva.  Isto significa que ela vivifica aqueles que nela crêem. Portanto, 
devemos correr para ela antes de perecermos e morrermos." 
A experiência é necessária para o entendimento da Palavra:
esta não deve ser simplesmente repetida ou conhecida, mas vivida e 

sentida. Na Escritura o Deus vivo e verdadeiro sempre confronta o leitor em julgamento e graça. 

17. Alguns textos relevantes: Sl 19:7711; Sl 119; Jo 5:39; Rm 15:4; 2 Tm 3:16717.

Autor: Alderi Souza de Matos
Fonte: 
http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/solascriptura_alderi.htm  

domingo, 29 de janeiro de 2012

CONFISSÃO DE FÉ ESCOCESA

Prefácio

Os Estados da Escócia, com seus habitantes, professando o evangelho santo de Jesus Cristo: para os seus compatriotas, e para todos os outros reinos e nações, professando o mesmo Senhor Jesus com eles, deseja graça, misericórdia, e paz de Deus o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, com um espírito de justo julgamento, para saudação, etc.
Durante muito tempo, queridos irmãos, nós tivemos o desejo de notificar ao mundo, a soma daquela doutrina a qual nós professamos, e pela o qual nós temos recebido infâmia e perigo. Mas tal foi a fúria de Satanás contra nós, e contra a verdade eterna de Jesus Cristo, recentemente nascida entre nós, que até este dia nenhum tempo foi concedido a nós para clarear nossas consciências, como alegremente nós teríamos feito. Como nós temos sido lançados a um ano inteiro de passado, a maior parte de Europa (como nós supomos) entende. Mas vendo que a infinita bondade de nosso Deus (que nunca faz sofrer o aflito completamente para não ser confundido), acima de qualquer expectativa, nós obtivemos algum descanso e liberdade, nós não pudemos, mas passo adiante esta breve e simples confissão de tal doutrina como é proposta à nós, e como nós acreditamos e professamos; em parte para satisfação de nossos irmãos cujos corações, não temos dúvida, temos sido ainda feridos apesar da ira que ainda temos de não aprender a falar bem; e em parte pelo parar as bocas de insolentes blasfemadores que corajosamente amaldiçoam aquilo que eles nem mesmo ouviram, e o que nem ainda entendem.
Não que julguemos que tal cancerosa malícia pode ser curada por esta nossa simples confissão. Não, nós sabemos que o doce sabor do evangelho é, e deve ser, morte para os filhos de perdição. Mas nós temos respeito principalmente para com nossos irmãos fracos e enfermos, para quem nós comunicaríamos o fundo de nossos corações, para que eles não sejam aborrecidos ou levados por diversos rumores que Satanás espalha [contra] nós, para derrotar este nosso empreendimento religioso; protestando que, se qualquer homem notar nesta nossa confissão, que qualquer artigo ou sentença seja repugnante para com a Palavra santa de Deus, isto nos agradará, por sua gentileza, e pela causa da caridade cristã, nos prevenir destes mesmos escritos; e nós, por nossa honra e fidelidade, prometemos a ele satisfação da boca de Deus (quer dizer, de suas Escrituras Santas), ou qualquer reforma que ele prove em que temos nos extraviado. Para Deus nós levamos as historias de nossas consciências, que de nossos corações nós detestamos todas as seitas heréticas, e todos os professores de doutrina errônea; e que, com toda humildade, nós abraçamos a pureza do evangelho de Cristo que é o único alimento de nossas almas; e isto é tão precioso para nós, que nós estamos determinados a sofrer a extremidade do perigo mundano, ao invés de que nós sofreremos ao ser defraudados pelo mesmo. Pela espera nós somos certamente persuadidos, que aquele que de alguma forma negar a Cristo Jesus, ou ter vergonha dele, na presença dos homens, será negado diante do Pai, e diante de seus santos anjos. E então, pela ajuda do poderoso Espírito do nosso mesmo Senhor Jesus, nós firmemente propomos ficar juntos até o fim, na confissão desta nossa fé, como se seguem nestes artigos.

1º CAPÍTULO
De Deus

Confessamos e reconhecemos um só Deus, a quem, só, devemos apegar-nos, a quem, só, devemos servir, a quem, só, devemos adorar e em quem, só, devemos depositar nossa confiança.1 Ele é eterno, infinito, imensurável, incompreensível, onipotente, invisível;2 um em substância e, contudo, distinto em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.3 Cremos e confessamos que por ele todas as coisas que há no céu e na terra, visíveis e invisíveis, foram criadas, são mantidas em seu ser, e são governadas e guiadas pela sua inescrutável providência para o fim que determinaram sua eterna sabedoria, bondade e justiça, e para a manifestação de sua própria glória.4
1. Dt 6:4; 1Co 8:6; Dt 4:35; Is 44:5-6.
2. 1Tm 1:17; 1Rs 8:27; 2Cr 6:18; Sl 139:7-8; Gn 17:1; 1Tm 6:15-16; Êx 3:14-15.
3. Mt 28:19; 1Jo 5:7.
4. Gn 1:1; Hb 11:3; At 17:28; Pv 16:4.

2º CAPÍTULO
Da Criação do Homem

Confessamos e reconhecemos que nosso Deus criou o homem, isto é, nosso primeiro pai, Adão, segundo sua própria imagem e semelhança, e lhe deu sabedoria, domínio, justiça, livre arbítrio e consciência de si mesmo, de modo que em toda a natureza do homem não se podia encontrar nenhuma imperfeição.1 Dessa perfeição e dignidade caíram o homem e a mulher; a mulher, enganada pela serpente e o homem dando ouvido à voz da mulher, ambos conspirando contra a soberana majestade de Deus, que, com palavras claras, os havia previamente ameaçado de morte, se ousassem comer da árvore proibida.2
1. Gn 1:26-28; Cl 3:10; Ef 4:24.
2. Gn 3:6; 2:17.

3º CAPÍTULO
Do Pecado Original

Por essa transgressão, geralmente conhecida como pecado original, a imagem de Deus foi totalmente deformada no homem, e ele e seus filhos se tornaram, por natureza, inimigos de Deus, escravos de Satanás e servos do pecado,1 de modo que a morte eterna tem tido e terá poder e domínio sobre todos os que não foram, não são e não forem regenerados do alto. Essa regeneração se realiza pelo poder do Espírito Santo, que cria nos corações dos escolhidos de Deus uma fé firme na promessa de Deus a nós revelada pela sua Palavra; por essa fé aprendemos Jesus Cristo com os seus dons gratuitos e com as bênçãos nele prometidas.2
1. Sl 51:5; Rm 5:10; 7:5; 2Tm 2:26; Ef 2:1-3.
2. Rm 5:14,21; 6:23; Jo 3:5; Rm 5:1; Fp 1:29.

4º CAPÍTULO
Da Revelação da Promessa

Cremos firmemente que Deus, depois da tremenda e horrenda defecção de sua obediência feita pelo homem, procurou Adão, chamou-o a si,1 foi ter com ele, repreeendeu-o e convenceu-o do seu pecado e fez-lhe afinal a promessa gratuita e a mais grata de que a semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente,2 isto é, destruiria as obras do Diabo. Essa promessa foi repetida e tornada cada vez mais clara com o correr do tempo; foi abraçada com firmeza e alegria por todos os fiéis, de Adão a Noé. Semelhantemente, de Noé a Abraão, de Abraão a Davi e assim por diante até a encarnação de Jesus Cristo; todos - isto é, os patriarcas crentes sob a lei - viram os dias agradabilíssimos de Cristo e se regozijaram.3
1. Gn 3:9.
2. Gn 3:15.
3. Gn 12:3; 15:5-6; 2Sm 7:14; Is 7:14; 9:6; Os 2:6; Jo 8:56.

5º CAPÍTULO
Contituidade, Aumento e Preservação da Igrejas

Cremos, com a maior segurança, que Deus preservou, instruiu, multiplicou, honrou, adornou e vocacionou, da morte para a vida, a sua Igreja em todas as épocas, desde Adão até a vinda de Cristo Jesus em carne.1 Ele chamou Abraão da terra de seu pai, instruiu-o e multiplicou a sua semente;2 ele o preservou maravilhosamente e mais admiravelmente livrou sua semente da servidão e da tirania de Faraó;3 deu-lhe as suas leis, constituições e cerimônias,4 deu-lhes a terra de Canaã.5 Depois de lhes haver dado juizes, e posteriormente Saul, deu-lhes Davi para ser rei, a quem prometeu que do fruto dos seus lombos um devia assentar-se para sempre no seu trono real.6 A esse mesmo povo ele enviou profetas, em contínua sucessão de tempo, a fim de, da idolatria pela qual eles freqüentes vezes se desviaram, reconduzi-los ao caminho reto do seu Deus.7 E, embora, por seu obstinado desprezo da justiça, tenha sido ele, compelido a entregá-los nas mãos dos seus inimigos,8 como fora previamente ameaçado pelos lábios de Moisés,9 de modo que a cidade santa foi completamente destruída, o templo devorado pelo fogo,10 e toda a terra desolada durante setenta anos,11 contudo, por sua graça e misericórdia ele os reconduziu a Jerusalém, onde a cidade e o templo foram restaurados e onde eles resistiram contra todas as tentações e assaltos de Satanás, até a vinda do Messias, segundo a promessa.12
1. Ez 6:6-14.
2. Gn 12:1; 13:1.
3. Êx 1, etc.
4. Jo 1:3; 23:4.
5. 1Sm 10:1; 16:13.
6. 2Sm 7:12.
7. 2Rs 17:13-19.
8. 2Rs 24:3-4.
9. Dt 28:36,48.
10. 2Rs 25.
11. Dn 9:2.
12. Jr 30; Ed 1, etc.; Os 1:14; 2:7-9; Zc 3:8.

6º CAPÍTULO
Da Encarnação de Cristo

Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou ao mundo o seu Filho1 - sua eterna sabedoria, a substância da sua própria glória - o qual assumiu a natureza humana da substância de uma mulher, uma virgem, e isso por obra do Espírito Santo.2 E assim nasceu a "semente justa de Davi", o "Anjo do grande conselho de Deus", o próprio Messias prometido, a quem reconhecemos e confessamos como o Emanuel, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, por duas naturezas unidas e ligadas em uma só pessoa.3 Assim, por esta nossa Confissão condenamos as condenáveis e pestilentas heresias de Ário, Márcion, Eutiques, Nestório e outros, que, ou negaram a sua divindade eterna ou a verdade da sua natureza humana, ou as confundiram ou dividiram.
1. Gl 4:4.
2. Lc 1:31; Mt 1:18; 2:1; Rm 1:3; Jo 1:45; Mt 1:23.
3. 1Tm 2:5.

7º CAPÍTULO
Por que Devia o Mediador ser Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem

Reconhecemos e confessamos que esta admirável união entre a divindade e a humanidade, em Jesus Cristo, procedeu do decreto eterno e imutável de Deus, do qual decorre e depende toda a nossa salvação.1
1. Ef 1:3-6.

8º CAPÍTULO
A Eleição

O mesmo eterno Deus e Pai, que somente pela graça nos escolheu em seu Filho, Jesus Cristo, antes que fossem lançados os fundamentos do mundo,1 designou-o para ser nosso chefe,2 nosso irmão,3 nosso pastor e o grande bispo de nossas almas.4 Mas, visto que a inimizade entre a justiça de Deus e os nossos pecados era tal que nenhuma carne por si mesma poderia ter chegado a Deus,5 foi preciso que o Filho de Deus descesse até nós e assumisse o corpo de nosso corpo, a carne de nossa carne e o osso de nossos ossos, para que se tornasse o perfeito Mediador entre Deus e o homem,6 dando a todos os que crêem em Deus o poder de se tornarem filhos de Deus,7 como ele mesmo diz: "Subo para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus".8 Por meio desta santíssima fraternidade, tudo o que perdemos em Adão nos é de novo restituído,9 e por isso não tememos chamar a Deus nosso Pai,10 não tanto por nos ter ele criado - o que temos em comum com os próprios réprobos –11 como por nos ter dado o seu Filho unigênito para ser nosso irmão,12 e por nos ter concedido graça para reconhecê-lo e abraçá-lo como nosso único Mediador, como ficou dito acima.
Além disso, era preciso que o Messias e Redentor fosse verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porque ele seria capaz de suportar o castigo devido a nossas transgressões e apresentar-se ante o juízo de seu Pai, como em nosso lugar, para sofrer por nossa transgressão e desobediência,13 e, pela morte, vencer o autor da morte. Mas, porque a Divindade, só, não podia sofrer a morte,14 nem a humanidade podia vencê-la, ele uniu as duas numa só pessoa, a fim de que a fraqueza de uma pudesse sofrer e sujeitar-se à morte que nós merecíamos - e o poder infinito e invencível da outra, isto é, da Divindade, pudesse triunfar e preparar-nos a vida, a liberdade e a vitória perpétua.15 Assim confessamos e cremos sem nenhuma dúvida.
1. Ef 1:11; Mt 25:34.
2. Ef 1:22-23.
3. Hb 2:7-8, 11-12; Sl 22:22.
4. Hb 13:20; 1Pd 2:24; 5:4.
5. Sl 130:3; 143:2.
6. 1Tm 2:5.
7. Jo 1:12.
8. Jo 20:17.
9. Rm 5:17-19.
10. Rm 8:15; Gl 4:5-6.
11. At 17:26.
12. Hb 2:11-12.
13. 1Pd 3:18; Is 53:8.
14. At 2:24.
15. Jo 1:2; At 20:20; 1Tm 3:16; Jo 3:16.

9º CAPÍTULO
A Morte, a Paixão e o Sepultamento de Cristo

[Confessamos] que nosso Senhor Jesus Cristo se ofereceu ao Pai em sacrifício voluntário por nós,1 que sofreu a contradição dos pecadores, que foi ferido e açoitado pelas nossas transgressões,2 que, sendo o Cordeiro de Deus puro e inocente3 foi condenado na presença de um juiz terreno,4 a fim de que fôssemos absolvidos perante o tribunal de nosso Deus;5 que sofreu não só a cruel morte de cruz - que foi maldita pela sentença de Deus6 - mas também sofreu por um pouco a ira de seu Pai,7 que os pecadores mereciam. Mas declaramos que ele permanece como o Filho unicamente amado e bendito do Pai, mesmo em meio à angústia e ao tormento que ele sofreu na alma e no corpo, para dar plena satisfação pelos pecados do povo,8 e agora confessamos e declaramos que não resta nenhum outro sacrifício pelo pecado.9 Se há alguns que assim afirmam, não necessitamos em declarar que são blasfemos contra a morte de Cristo e contra a satisfação eterna que por ela nos foi preparada.
1. Hb 10:1-12.
2. Is 53:5; Hb 12:3.
3. Jo 1:29.
4. Mt 27:11,26; Mc 15; Lc 23.
5. Gl 3:13.
6. Dt 21:23.
7. Mt 26:38-39.
8. 2Co 5:21.
9. Hb 9:12; 10:14.

10º CAPÍTULO
A Ressurreição

Visto que era impossível que as dores da morte pudessem reter cativo o Autor da vida,1 cremos sem nenhuma dúvida que nosso Senhor Jesus Cristo foi crucificado morto e sepultado, o qual desceu ao inferno, ressuscitou para nossa justificação2 e para a destruição daquele que era o autor do pecado, e nos trouxe de novo a vida, a nós que estávamos sujeitos à morte e ao seu cativeiro.3 Sabemos que sua ressurreição foi confirmada pelos testemunhos de seus inimigos4 e pela ressurreição dos mortos, cujos sepulcros se abriram e eles ressuscitaram e apareceram a muitos dentro da cidade de Jerusalém,5 e que foi também confirmada pelos testemunhos dos anjos,6 pelos sentidos e pelo julgamento dos apóstolos e de outros que privaram com ele e com ele comeram e beberam depois da sua ressurreição.7
1. At 2:24.
2. At 3:26; Rm 6:5, 9; 4:25.
3. Hb 2:14-15.
4. Mt 28:4.
5. Mt 27:52-53.
6. Mt 28:5-6.
7. Jo 20:27; 21:7,12-13; Lc 24:41-43.

11º CAPÍTULO
A Ascensão

Não duvidamos, de modo nenhum, que exatamente o mesmo corpo que nasceu da Virgem, foi crucificado, morto e sepultado, e que ele ressurgiu e subiu aos céus, para cumprimento de todas as coisas,1 onde em nosso nome e para a nossa consolação recebeu todo o poder no céu e na terra,2 onde ele está sentado, à destra do Pai, tendo sido coroado no seu reino, como o único advogado e mediador por nós;3 essa glória, honra e prerrogativa possuirá ele, só, entre os irmãos, até que todos os seus inimigos sejam feitos escabelo dos seus pés.4 Assim também cremos, sem dúvida alguma, que haverá um juízo final, para cuja execução o mesmo Senhor Jesus há de vir visivelmente, como foi visto subir.5 E cremos firmemente que virá então o tempo da recriação e restauração de todas as coisas,6 de modo que aqueles que desde o principio sofreram violência e afronta por causa da justiça, entrarão na posse da bendita imortalidade a eles prometida desde o princípio.7
Mas, por outro lado, os obstinados, os desobedientes, os cruéis, os perseguidores, os impuros, os idólatras e incrédulos de toda sorte serão lançados no cárcere das trevas exteriores, onde o seu verme não morrerá, nem seu fogo se apagará.8 A lembrança daquele dia e do juízo que nele será executado não é apenas freio para coibir nossos apetites carnais, mas também uma consolação tão grande e tão incomparável que nem a ameaça dos príncipes deste mundo, nem o medo da morte temporal e do perigo presente podem levar-nos a renunciar e abandonar aquela bendita sociedade que nós, os membros, temos com o Cabeça e nosso único Mediador, Jesus Cristo:9 a quem nós confessamos e reconhecemos ser o Messias prometido, o único Cabeça da Igreja, nosso justo Legislador, nosso único Sumo-Sacerdote, Advogado e Mediador,10 em cujas honras e funções, se homem ou anjo ousa intrometer-se, nós os detestamos e repudiamos completamente como blasfemos de nosso soberano e supremo Governador, Jesus Cristo.
1. Mc 16:9; Mt 28:6; Lc 24:51; At 1:9.
2. Mt 28:18.
3. 1Jo 2:1; 1Tm 2:5.
4. Sl 110:1; Mt 22:44; Mc 12:36; Lc 20:42-43.
5. At 1:8.
6. At 3:19.
7. Mt 25:34. 2Ts 1:4-8.
8. Ap 21:27; Is 66:24; Mt 25:41; Mc 9:44, 46,48; Mt 22:13.
9. 2Pd 3:11; 2Co 5:9-11; Lc 21:27-28; Jo 14:1, etc.
10. Is 7:14; Ef 1:22; Cl 1:18; Hb 9:11,15; 10:21; 1Jo 2:1; 1Tm 2:5.

12º CAPÍTULO
A Fé no Espírito Santo

Esta fé e a sua certeza não procedem da carne e do sangue, isto é, de uma faculdade natural que há em nós, mas são a inspiração do Espírito Santo,1 que nós confessamos ser Deus, igual com o Pai e com seu Filho,2 que nos santifica e nos conduz em toda verdade pela sua operação, sem o qual permaneceríamos para sempre inimigos de Deus e ignorantes de seu Filho, Jesus Cristo. Porque por natureza somos mortos, cegos e perversos, de maneira que nem sequer sentimos quando somos aguilhoados, nem vemos a luz quando brilha, nem podemos assentir à vontade de Deus quando ela se revela, se o Espírito de nosso Senhor não vivificar o que está morto, não remover as trevas de nossas mentes e não dobrar a rebelião dos nossos corações à obediência da sua bendita vontade.3 Dessa forma, assim como confessamos que Deus o Pai nos criou quando ainda não existíamos,4 assim como o seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, nos redimiu quando éramos seus inimigos,5 assim também confessamos que o Espírito Santo nos santificou e regenerou, sem qualquer respeito a qualquer mérito nosso - seja anterior seja posterior à nossa regeneração.6 Para deixar isto ainda mais claro: como de boa vontade renunciamos a qualquer honra e glória pela nossa própria criação e redenção,7 assim também o fazemos pela nossa regeneração e santificação, pois por nós mesmos nada de bom somos capazes de pensar, mas só aquele que em nós começou a obra nos faz continuar nela,8 para o louvor e glória de sua graça imerecida.9
1. Mt 16:17; Jo 14:26; 15:26; 16:13.
2. At 5:3-4.
3. Cl 2:13; Ef 2:1; Jo 9:39; Ap 3:17; Mt 17:17; Mc 9:19; Lc 9:41; Jo 6:63; Mq 7:8; 1Rs 8:57-58.
4. Sl 100:3.
5. Rm 5:10.
6. Jo 3:5; Tt 3:5; Rm 5:8.
7. Fp 3:7.
8. Fp 1:6; 2 Co 3:5.
9. Ef 1:6.

13º CAPÍTULO
A Causa das Boas Obras

Assim, confessamos que a causa das boas obras não é nosso livre arbítrio, mas o Espírito de Jesus, nosso Senhor, que habita em nossos corações pela verdadeira fé, produz as obras, quais Deus as preparou para que andássemos nelas. Por isso, com toda a ousadia afirmamos que é blasfêmia dizer que Cristo habita nos corações daqueles em quem não há nenhum espírito de santificação.1 Portanto, não hesitamos em afirmar que os assassinos, os opressores, os cruéis, os perseguidores, os adúlteros, os fornicários, os idólatras, os alcoólatras, os ladrões e outros que praticam a iniqüidade, não têm nem verdadeira fé, nem qualquer porção do Espírito do Senhor Jesus, enquanto obstinadamente continuarem na impiedade.
Pois, logo que o Espírito do Senhor Jesus, a quem os escolhidos de Deus recebem pela verdadeira fé, toma posse do coração de alguém, imediatamente ele regenera e renova esse homem, que assim começa a odiar aquilo que antes amava e a amar o que antes odiava. Daí resulta a contínua batalha entre a carne e o espírito: a carne e o homem natural, segundo a sua corrupção, cobiçam coisas que lhes são agradáveis e deleitáveis, murmuram na adversidade e enchem-se de orgulho na prosperidade e estão em todos os momentos propensos e prontos a ofender a majestade de Deus.2 Mas o Espírito de Deus, que dá testemunho junto ao nosso espírito de que somos filhos de Deus,3 leva-nos a resistir aos prazeres imundos e a suspirar na presença de Deus pelo livramento desse cativeiro da corrupção,4 e finalmente a triunfar sobre o pecado, para que ele não reine em nossos corpos mortais.5
Os homens carnais não têm esse conflito, pois são destituídos do Espírito de Deus, mas seguem e obedecem com avidez ao pecado, sem nenhum pesar, estimulados pelo Diabo e por sua cupidez depravada. Os filhos de Deus, porém, como antes foi dito, lutam contra o pecado, suspiram e gemem quando se sentem tentados à prática do mal; e, se caem, levantam-se outra vez com arrependimento não fingido.6 Eles fazem estas coisas não pelo seu próprio poder, mas pelo poder do Senhor Jesus, sem quem nada podem fazer.7
1. Ef 2:10; Fp 2:13; Jo 15:5; Rm 8:9.
2. Rm 7:15-25; Gl 5:17.
3. Rm 8:16.
4. Rm 7:24; 8:22.
5. Rm 6:12.
6. 2Tm 2:26.
7. Jo 15:5.

14º CAPÍTULO
As Obras que são Consideradas Boas diante de Deus

Confessamos e reconhecemos que Deus deu ao homem sua santa Lei, na qual se proíbem não só as obras que desagradam e ofendem sua divina majestade, mas também se ordenam todas aquelas que lhe agradam e que ele prometeu recompensar.1 Essas obras são de duas espécies. Umas são praticadas para a honra de Deus e as outras para benefício de nosso próximo, e ambas têm a vontade revelada de Deus como sua garantia.
Ter um só Deus, adorá-lo e honrá-lo, invocá-lo em todas as nossas dificuldades, reverenciar o seu santo nome, ouvir a sua Palavra e crer nela, participar dos seus santos sacramentos, são obras da primeira espécie.2 Honrar pai, mãe, príncipes, governantes e poderes superiores, amá-los, sustentá-los, obedecer às suas ordens - se estas não são contrárias aos mandamentos divinos - salvar as vidas dos inocentes, reprimir a tirania, defender os oprimidos, conservar nossos corpos limpos e santos, viver em sobriedade e temperança, tratar de modo justo todos os homens tanto por palavras como por obras e, finalmente, reprimir quaisquer desejos pelos quais nosso próximo recebe ou pode receber dano,3 são as boas obras da segunda espécie, as quais são mui gratas e aceitáveis a Deus, visto que ele mesmo as ordenou.
Os atos contrários são pecados dignos da maior indignação, que sempre lhe desagradam e o provocam à ira. São eles: não invocar só a ele quando temos necessidade, não ouvir com reverência a sua Palavra, mas desprezá-la e rejeitá-la, ter ou adorar ídolos, alimentar e defender a idolatria, fazer pouco do venerável nome de Deus, profanar, abusar ou desprezar os sacramentos de Jesus Cristo, não obedecer ou resistir aos que Deus colocou em autoridade, enquanto se mantenham dentro dos limites da sua vocação,4 cometer homicídio ou ser conivente com homicídio, odiar o próximo, permitir que seja derramado o sangue inocente, se podemos impedi-lo.5 Em conclusão, confessamos e afirmamos que a quebra de qualquer mandamento da primeira ou da segunda espécie é pecado,6 pelo qual se acende a ira de Deus contra o mundo soberbo e ingrato. Assim, afirmamos serem boas obras somente as que são praticadas com fé,7 segundo o mandamento de Deus,8 que, em sua lei, expôs o que lhe agrada. Afirmamos que as obras más não são apenas as que se praticam expressamente contra o mandamento de Deus,9 mas também as que em assuntos religiosos e de culto a Deus, não têm outro fundamento senão a invenção e a opinião do homem. Desde o princípio Deus as vem rejeitando, como aprendemos das palavras do profeta lsaías10 e de nosso Senhor Jesus Cristo: "Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens".11
1. Êx 20:3, etc.; Dt 5:6, etc.; 4:8.
2. Lc 10:27-28; Mq 6:8.
3. Ef 6:1,7; Ez 22:1,etc.; 1Co 6:19-20; 1Ts 4:3-7; Jr 22:3, etc.; Is 50:1, etc.; 1Ts 4:6.
4. Rm 13:2.
5. Ez 22:13, etc.
6. 1Jo 3:4.
7. Rm 14:23; Hb 11:6.
8. 1Sm 15:22; 1Co 10:31.
9. 1Jo 3:4.
10. Is 29:13.
11. Mt 15:9; Mc 7:7.

15º CAPÍTULO
A Perfeição da Lei e a Imperfeição do Homem

Confessamos e reconhecemos que a Lei de Deus é a mais justa, a mais imparcial e a mais santa, e o que ela ordena, se perfeitamente praticado, iluminaria e poderia conduzir o homem à felicidade eterna;1 mas a nossa natureza é tão corrupta, fraca e imperfeita que jamais seríamos capazes de cumprir perfeitamente as obras da Lei.2 Mesmo depois de sermos regenerados, se dissermos que não temos pecados, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade de Deus não está em nós.3 Por isso, importa que nos apeguemos a Cristo, em sua justiça e satisfação, pois ele é o fim e o complemento da Lei e é por ele que somos libertados, de modo que, embora não cumpramos a Lei em todos os pontos, contudo, estamos imunes da execração de Deus.4 Deus o Pai contempla-nos no corpo de seu Filho Jesus Cristo, aceita como perfeita a nossa obediência imperfeita5 e cobre todas as nossas obras, que estão poluídas por muitas manchas,6 com a perfeita justiça do seu Filho.
Não queremos dizer que fomos libertados, de modo a não devermos mais obediência alguma à Lei - pois já reconhecemos o lugar dela - mas afirmamos que ninguém na terra, pela sua conduta - com exceção apenas de Cristo Jesus - deu, dá e dará à Lei a obediência que ela requer. Quando tivermos feito tudo, devemos prostrar-nos e confessar sinceramente que somos servos inúteis.7 Portanto, todos os que se vangloriam dos méritos de suas obras põem sua confiança em obras de supererrogação, ou se vangloriam da vaidade, ou põem sua confiança em idolatria condenável.
1. Lv 18:5; Gl 3:12; 1Tm 1:8; Rm 7:12; Sl 19:7-9; 19:11.
2. Dt 5:29; Rm 10:3.
3. 1Rs 8:46; 2Cr 6:36; Pv 20:9; Ec 7:22; 1Jo 1:8.
4. Rm 10:4; Gl 3:13; Dt 27:26.
5. Fp 2:15.
6. Is 64:6.
7. Lc 17:10.

16º CAPÍTULO
Da Igreja

Assim como cremos em um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, assim também firmemente cremos que houve desde o princípio, há agora e haverá até o fim do mundo uma só Igreja, isto é, uma sociedade e multidão de homens escolhidos por Deus, que corretamente o adoram e aceitam, pela verdadeira fé em Jesus Cristo,1 o qual, só, é a Cabeça da Igreja, assim como é ela o corpo e a esposa de Jesus Cristo. Essa Igreja é católica, isto é, universal, porque compreende os escolhidos de todos os tempos, de todos os reinos, nações e línguas, ou dos judeus ou dos gentios, que tenham comunhão e associação com Deus o Pai, e com seu Filho, Jesus Cristo, pela santificação do Espírito Santo.2 Por isso ela é chamada comunhão, não dos profanos, mas dos santos, que, como cidadãos da Jerusalém celestial,3 gozam de benefícios inestimáveis: um só Deus, um só Senhor Jesus Cristo, uma só fé e um só batismo.4 Fora dessa Igreja não há nem vida nem felicidade eterna. Portanto, detestamos completamente a blasfêmia dos que sustentam que os homens que vivem segundo à equidade e a justiça serão salvos, não importando que religião professem. Pois, visto que sem Cristo não há vida nem salvação,5 ninguém terá parte nesta senão aquele que o Pai deu ao seu Filho, Jesus Cristo, e aqueles que no tempo oportuno a ele vierem,6 confessarem a sua doutrina e nele crerem (incluímos as crianças de pais crentes).7 Essa Igreja é invisível, conhecida só de Deus - que é o único a conhecer os que ele escolheu8 - e compreende, como já ficou dito, tanto os escolhidos que já partiram, e é chamada geralmente a "Igreja Triunfante", como os que ainda vivem e lutam contra o pecado e Satanás, e os que viverem daqui por diante.9
1. Mt 28:20; Ef 1:4.
2. Cl 1:18; Ef 5:23-24, etc.; Ap 7:9.
3. Ef 2:19.
4. Ef 4:5.
5. Jo 3:36.
6. Jo 5:24; 6:37; 6:39; 6:65; 17:6.
7. At 2:39.
8. 2Tm 2:19; Jo 13:18.
9. Ef 1:10; Cl 1:20; Hb 12:4.

17º CAPÍTULO
Da Imortalidade das Almas

Os escolhidos, que partiram, estão em paz e descansam de seus trabalhos;1 não que durmam e estejam perdidos no esquecimento, como sustentam alguns fantasistas, mas porque foram libertados de todo medo, de tormentos, e de toda tentação, coisas a que nós e todos os escolhidos de Deus nesta vida estamos sujeitos.2 Por isso a Igreja é chamada Militante. Por outro lado, os réprobos e infiéis falecidos padecem angústia, tormentos e penas inenarráveis.3 Nem estes nem aqueles se encontram em tal sono que os impeça de sentir em que situação estejam, como claramente atestam a parábola de Jesus Cristo em São Lucas 16,4 as suas próprias palavras na cruz ao ladrão5 e o clamor das almas, sob o altar:6 "Senhor, que és justo e imparcial, até quando deixarás sem vingança o nosso sangue entre os habitantes da terra?"
1. Ap 14:13.
2. Is 25:8; Ap 7:14-17; 21:4.
3. Ap 16:10-11; Is 66:24; Mc 9:44,46,48.
4. Lc 16:23-26.
5. Lc 23:43.
6. Ap 6:9-10.

18º CAPÍTULO
Os Sinais pelos quais a Verdadeira Igreja será Distinguida da Falsa e quem será Juiz da Doutrina

Satanás vem trabalhando desde o princípio para adornar sua pestilenta sinagoga com o título de Igreja de Deus, e inflamando corações de crudelíssimos assassinos, para perseguirem, perturbarem e molestarem a verdadeira Igreja e seus membros, como Caim com Abel,1 Ismael com Isaque,2 Esaú com Jacó3 e todos os sacerdotes dos judeus com Jesus Cristo e seus apóstolos que vieram depois dele.4 Por isso, é necessário que a verdadeira Igreja, por sinais claros e perfeitos, se distinga de tais sinagogas corruptas, a fim de que não sejamos enganados e, para nossa própria condenação, recebamos e abracemos a falsa pela verdadeira. As marcas, os sinais e as características pelos quais a noiva imaculada de Cristo se distingue da impura e horrível meretriz - a Igreja dos maldosos - nós afirmamos que não são nem a antiguidade, nem o título usurpado, nem a sucessão linear, nem a multidão de homens que aprovam o erro. Caim existiu primeiro do que Abel e Sete5 quanto à idade e ao título; Jerusalém tinha precedência sobre todos os outros lugares da terra,6 pois nela os sacerdotes descendiam linearmente de Aarão, e maior era o número que seguia os escribas, fariseus e sacerdotes do que aqueles que verdadeiramente criam em Jesus Cristo e aprovavam a sua doutrina.7 No entanto ninguém de são juízo, supomos, sustentará que qualquer dos acima nomeados era a Igreja de Deus.
Portanto, nós cremos, confessamos e declaramos que as marcas da verdadeira Igreja são, primeiro e antes de tudo, a verdadeira pregação da Palavra de Deus, na qual Deus mesmo se revelou a nós, como nos declaram os escritos dos profetas e apóstolos; segundo, a correta administração dos sacramentos de Jesus Cristo, os quais devem ser associados à Palavra e à promessa de Deus para selá-las e confirmá-las em nossos corações;8 e, finalmente, a disciplina eclesiástica corretamente administrada, como prescreve a Palavra de Deus, para reprimir o vício e estimular a virtude.9 Onde quer que essas marcas se encontrem e continuem por algum tempo - ainda que o número de pessoas não exceda de duas ou três - ali, sem dúvida alguma, está a verdadeira Igreja de Cristo, o qual, segundo a sua promessa, está no meio dela.10 Isto não se refere à Igreja universal de que falamos antes, mas às igrejas particulares, tais como as que havia em Corinto,11 na Galácia,12 em Éfeso13 e noutros lugares onde o ministério foi implantado por Paulo e às quais ele mesmo chamou igrejas de Deus.
Tais igrejas nós, habitantes do reino da Escócia, confessando a Jesus Cristo, afirmamos ter em nossas cidades, vilas e distritos reformados, porque a doutrina ensinada em nossas igrejas está contida na Palavra de Deus escrita, isto é, no Velho e no Novo Testamentos, nos livros originalmente reconhecidos como canônicos. Afirmamos que neles todas as coisas que devem ser cridas para a salvação dos homens estão suficientemente expressas.14 Confessamos que a interpretação da Escritura não é atribuição de nenhuma pessoa particular ou pública, nem mesmo de qualquer igreja em virtude de qualquer preeminência ou prerrogativa, pessoal ou local, que uma tenha sobre a outra, mas esse direito e autoridade só pertencem ao Espírito de Deus por quem as Escrituras foram escritas.15
Quando surge, pois, controvérsia acerca do exato sentido de qualquer passagem ou sentença da Escritura, ou para a reforma de algum abuso na Igreja de Deus, devemos perguntar não tanto o que os homens disseram ou fizeram antes de nós, como o que o Espírito Santo, uniformemente, fala no corpo das Escrituras Sagradas e o que Jesus Cristo mesmo fez e mandou.16 Pois todos reconhecem sem discussão que o Espírito de Deus, que é o Espírito de unidade, não pode contradizer-se a si mesmo.17 Assim, se a interpretação ou decisão ou opinião de qualquer doutor da Igreja ou concílio é contrária à expressa Palavra de Deus em qualquer outra passagem da Escritura, é certo que essa interpretação não representa a mente e sentido do Espírito Santo, ainda que concílios, reinos e nações a tenham admitido e aprovado. Não ousamos admitir nenhuma interpretação contrária a qualquer artigo principal de fé, ou a qualquer texto claro da Escritura, ou à regra do amor.
1. Gn 4:8.
2. Gn 21:9.
3. Gn 27:41.
4. Mt 23:34; Jo 15:18-20,24; 11:47,53; At 4:1-3; 5:17, etc.
5. Gn 4:1.
6. Sl 48:2-3; Mt 5:35.
7. Jo 12:42.
8. Ef 2:20; At 2:42; Jo 10:27; 18:37; 1Co 1:13; Mt 18:19-20; Mc 16:15-16; 1C. 11:24-26; Rm 4:11.
9. Mt 18:15-18; 1Co 5:4-5.
10. Mt 18:19-20.
11. 1Co 1:2; 2Co 1:2.
12. Gl 1:2.
13. Ef 1:1; At 16:9-10; 18:1, etc.; 20:17, etc.
14. Jo 20:31; 2Tm 3:16-17.
15. 2Pd 1:20-21.
16. Jo 5:39.
17. Ef 4:3-4.

19º CAPÍTULO
A Autoridade das Escrituras

Cremos e confessamos que as Escrituras de Deus são suficientes para instruir e aperfeiçoar o homem de Deus, e assim afirmamos e declaramos que a sua autoridade vem de Deus e não depende de homem ou de anjo.1 Afirmamos, portanto, que os que dizem não terem as Escrituras outra autoridade a não ser a que elas receberam da Igreja são blasfemos contra Deus e fazem injustiça à verdadeira Igreja, que sempre ouve e obedece à voz de seu próprio Esposo e Pastor, mas nunca se arroga o direito de senhora.2
1. 1Tm 3:16-17.
2. Jo 10:27.

20º CAPÍTULO
Dos Concílios Gerais, seu Poder, sua Autoridade e Causas de sua Convocação

Assim como não condenamos irrefletidamente o que homens bons, reunidos em concílio geral legalmente convocado, estabeleceram antes de nós, assim não admitimos sem justo exame tudo o que tenha sido declarado aos homens em nome de concílio geral, pois é manifesto que, sendo humanos, alguns deles manifestamente erraram, e isso em questões de máximo peso e importância.1 Então, na medida em que um concílio confirma sua decisão e seus decretos pela clara Palavra de Deus, nós os respeitamos e acatamos. Mas, se homens, em nome de um concílio, pretendem forjar-nos novos artigos de fé, ou tomar decisões contrárias à Palavra de Deus, então devemos definitivamente negar como doutrinas de demônios tudo aquilo que afasta nossas almas da voz do único Deus para levar-nos a seguir doutrinas e decisões de homens.2
A razão por que os concílios gerais se reuniram não foi para elaborar qualquer lei permanente que Deus não tivesse feito antes, nem para formular novos artigos para a nossa fé, nem para conferir autoridade à Palavra de Deus; muito menos para afirmá-la como Palavra de Deus, ou para dela dar a verdadeira interpretação que não fora previamente expressa pela sua santa vontade em sua Palavra.3 Mas a razão dos concílios - pelo menos daqueles que merecem tal nome - foi em parte refutar heresias e fazer confissão pública de sua fé a ser seguida pela posteridade, e eles fizeram uma e outra coisa pela autoridade da Palavra de Deus escrita, sem apelar a qualquer prerrogativa de que, pelo fato de serem concílios gerais, não poderiam errar. Foi essa a razão primeira e principal dos concílios gerais, em nossa opinião. Uma segunda foi constituir e observar boa administração na Igreja, em que - como casa de Deus que é4 – convém que tudo seja feito com decência e ordem.5 Não que pensemos que a mesma administração ou ordem de cerimônias possa ser estabelecido para todas as épocas, tempos e lugares; pois, como cerimônias que os homens inventaram, são apenas temporais, e, assim, podem e devem ser mudadas quando se percebe que o seu uso fomenta antes a superstição que a edificação da Igreja.
1. Gl 2:11-14.
2. 1Tm 4:1-3; Cl 2:18-23.
3. At 15:1, etc.
4. 1Tm 3:15; Hb 3:2.
5. 1Co 14:40.

21º CAPÍTULO
Dos Sacramentos

Assim como os patriarcas sob a Lei, além da realidade dos sacrifícios, tinham dois sacramentos principais, isto é, a circuncisão e a páscoa, e aqueles que os desprezavam e negligenciavam não eram contados entre o povo de Deus,1 assim nós também reconhecemos e confessamos que agora, na era do Evangelho, só temos dois sacramentos principais, instituídos por Cristo e ordenados para uso de todos os que desejam ser considerados membros de seu corpo, isto é, o Batismo e a Ceia ou Mesa do Senhor, também chamada popularmente Comunhão do seu Corpo e do seu Sangue.2 Esses sacramentos, tanto do Velho Testamento como do Novo, foram instituídos por Deus, não só para estabelecer distinção visível entre o seu povo e os que estavam fora da Aliança, mas também para exercitar a fé dos seus filhos e, pela participação de tais sacramentos, selar em seus corações a certeza da sua promessa e daquela associação, união e sociedade mui felizes que os escolhidos têm com seu Cabeça, Jesus Cristo.
E, assim, condenamos inteiramente a vaidade dos que afirmam que os sacramentos não são outra coisa que meros sinais desnudos. Muito ao contrário, cremos seguramente que pelo Batismo somos enxertados em Jesus Cristo, para nos tornarmos participantes de sua justiça, pela qual todos os nossos pecados são cobertos e perdoados; cremos também que na Ceia corretamente usada, Cristo se une de tal modo a nós, que se torna o próprio alimento e sustento de nossas almas.3 Não que imaginemos qualquer transubstanciação do pão no corpo natural de Cristo e do vinho em seu sangue natural, como têm ensinado perniciosamente os pontifícios e como crêem para sua condenação; mas essa união e associação que temos com o corpo e o sangue de Jesus Cristo no uso reto dos sacramentos se realiza por meio do Espírito Santo, que pela verdadeira fé nos transporta acima de todas as coisas visíveis - que são carnais e terrenas - e nos habilita a alimentar-nos do corpo e do sangue de Jesus Cristo, uma vez partido e derramado por nós, e que agora está no céu e se apresenta por nós na presença do Pai.4 Não obstante a distância entre o seu corpo agora glorificado no céu e nós mortos aqui na terra, contudo cremos firmemente que o pão que partimos é a comunhão do corpo de Cristo e o cálice que abençoamos é a comunhão do seu sangue.5 Assim, confessamos, e cremos, sem nenhuma dúvida, que os fiéis, mediante o uso reto da Ceia do Senhor, comem o corpo e bebem o sangue de Jesus Cristo, porque ele permanece neles e eles nele; eles, até, se tornam carne da sua carne e osso dos seus ossos6 de maneira tal que, como a Divindade eterna conferiu à carne de Jesus Cristo vida e imortalidade,7 assim também o comer e o beber da carne e do sangue de Jesus Cristo nos confere essas prerrogativas. Declaramos, contudo, que isto não nos é dado só na ocasião do sacramento, nem pela sua ação ou virtude; mas afirmamos que os fiéis, mediante o uso certo da Ceia do Senhor, têm com Jesus Cristo,8 uma união que o homem natural não pode compreender.
Além disso afirmamos que, embora os fiéis, impedidos pela negligência e pela fraqueza humana, não aproveitem tanto quanto desejariam, na própria ocasião em que se celebra a Ceia, no entanto subseqüentemente ela produzirá frutos, sendo semente viva semeada em boa terra, pois o Espírito Santo, que nunca pode estar separado do uso reto da Instituição de Cristo, não privará os fiéis do fruto dessa ação mística. Mas tudo isto, dizemos, vem da verdadeira fé que apreende Jesus Cristo, o único que faz o sacramento eficaz em nós. Portanto, todos os que nos difamam dizendo que afirmamos ou cremos que os sacramentos não são outra coisa que sinais desnudos e vazios, fazem-nos injustiça e falam contra a verdade manifesta.
Isto, no entanto, admitimos livre e espontaneamente, que fazemos distinção entre Cristo em sua substância eterna e os elementos dos sinais sacramentais. Assim, nem adoramos os elementos em lugar do que eles significam, nem os julgamos dignos de adoração, nem os desprezamos, ou interpretamos como inúteis e vãos, mas deles participamos com grande reverência, examinando-nos a nós mesmos o mais diligentemente antes de participarmos deles, pois somos persuadidos pelos lábios do apóstolo, de que "aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue de Jesus Cristo".9
1. Gn 17:10-11; Êx 23:3,etc.; Gn 17:14; Nm 9:13.
2. Mt 28:19; Mc 16:15-16; Mt 26:26-28; Mc 14:22-24; Lc 22:19-20; 1Co 11:23-26.
3. 1Co 10:16; Rm 6:3-5; Gl 3:27.
4. Mc 16:19; Lc 24:51; At 1:11; 3:21.
5. 1Co 10:16.
6. Ef 5:30.
7. Mt 27:50; Mc 15:37; Lc 23:46; Jo 19:30.
8. Jo 6:51; 6:53-58.
9. 1Co 11:27-29.

22º CAPÍTULO
Da Reta Administração dos Sacramentos

Duas coisas são necessárias para a reta administração dos sacramentos. A primeira é que eles devem ser ministrados por ministros legítimos; e declaramos que tais são apenas os que são designados para a pregação da Palavra, em cujos lábios pôs Deus a Palavra de exortação e que estes são os que são para isso legitimamente escolhidos por alguma Igreja. A segunda é que devem ser ministrados com os elementos e da maneira que Deus estabeleceu; de outra forma, afirmamos que deixam de ser os sacramentos corretos de Jesus Cristo.
Esse o motivo por que abandonamos a sociedade da Igreja pontifícia e fugimos à participação dos seus sacramentos. Primeiramente, porque seus ministros não são ministros de Jesus Cristo (o que é mais horrendo é que eles permitem que mulheres batizem, quando a estas o Espírito Santo não permite ensinar na congregação). Em segundo lugar, porque adulteraram de tal modo um e outro sacramentos com as suas próprias invenções que nenhuma parte do ato original de Cristo permanece em sua simplicidade original. O óleo, o sal, o cuspo e outras coisas, no batismo, são simples invenções humanas; a adoração ou veneração do sacramento, o transportá-lo pelas ruas e praças das cidades, a conservação do pão num escrínio ou cápsula, não é o uso legítimo do sacramento do corpo de Cristo, mas simples profanação dele. Cristo disse. "Tomai e comei", e "Fazei isto em memória de mim."1 Por estas palavras e por esta ordem ele santificou o pão e o vinho para sacramento do seu corpo e do seu sangue, de modo que um seria comido e todos bebessem do outro, e não que se conservem, e se adorem e honrem como Deus, como até agora fizeram os pontifícios, que, subtraindo ao povo o cálice da bênção, praticaram um horrendo sacrilégio.
Além disso, para uso correto dos sacramentos, requer-se que o fim e a causa da sua instituição sejam entendidos e observados não menos pelos comungantes do que pelos ministros. Se a intenção no participante se mudar, cessa o uso correto, o que é muito evidente na rejeição dos sacrifícios (assim como também se o ministro ensinar doutrina claramente falsa, o que seria odioso e detestável diante de Deus), ainda que os sacramentos sejam instituições dele próprio, porque homens ímpios deles usam para fim diverso daquele para que foram ordenados por Deus. Afirmamos que isto foi feito aos sacramentos na Igreja Pontifícia, na qual toda a ação de Jesus Cristo é adulterada, tanto na forma exterior, como no fim e na concepção. O que Cristo fez e ordenou que se fizesse é evidente dos Evangelistas e de São Paulo; o que o sacerdote pontifício faz junto do altar não é necessário repetir. O fim e a causa da instituição de Cristo, e por que o que ele instituiu deve ser feito por nós, exprime-se nestas palavras: "Fazei isto em memória de mim"; "Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais" isto é, enalteceis, pregais, engrandeceis e louvais – "a morte do Senhor, até que ele venha".2 Mas qual é o fim, qual a concepção com que os sacerdotes dizem a sua missa; revelem-no as suas próprias palavras na missa: e é que, como mediadores entre Cristo e sua Igreja, eles oferecem a Deus o Pai um sacrifício propiciatório pelos pecados dos vivos e dos mortos, doutrina blasfema porque anula a suficiência do sacrifício único de Cristo, uma vez oferecido para a purificação de todos os que são santificados. Nós aborrecemos, detestamos e repudiamos profundamente essa blasfêmia contra o próprio Jesus Cristo.3
1. Mt 26:26; Mc 14:22; Lc 22:19; 1Co 11:24.
2. 1Co 11:24-26.
3. Hb 9:27-28; 10:14.

23º CAPÍTULO
A quem Interessam os Sacramentos

Reconhecemos e sustentamos que o batismo se aplica tanto aos filhos dos fiéis como aos fiéis adultos, dotados de discernimento, e assim condenamos o erro dos Anabatistas, que negam o batismo às crianças até que elas tenham compreensão e fé.1 Mas sustentamos que a Ceia do Senhor é somente para aqueles que pertencem à família da fé e podem examinar-se e provar-se a si mesmos, tanto em sua fé como no dever da fé para com o próximo. Os que sem fé ou permanecendo em dissensão com os seus irmãos comem e bebem naquela santa mesa comem indignamente.2 Esta a razão por que os pastores da nossa Igreja fazem exame público e particular, tanto no conhecimento como na conduta e na vida, daqueles que devem ser admitidos à Ceia do Senhor Jesus.
1. Cl 2:11-12; Rm 4:11; Gn 17:10; Mt 28:19.
2. 1Co 11:28-29.

24º CAPÍTULO
Do Magistrado Civil

Confessamos e reconhecemos que impérios, reinos, domínios e cidades foram diferenciados e ordenados por Deus; o poder e a autoridade neles - dos imperadores nos impérios, dos reis nos reinos, dos duques e príncipes em seus domínios, e dos outros magistrados nas cidades – são uma santa ordenança de Deus destinada à manifestação de sua própria glória e à singular utilidade do gênero humano.1 Por isso afirmamos que todos os que procuram levantar ou confundir todo o estado do poder civil, já há muito estabelecido, não são apenas inimigos da humanidade, mas lutam impiamente contra a vontade manifesta de Deus.2
Além disso, confessamos e reconhecemos que todos os que foram colocados em autoridade devem ser amados,3 honrados, temidos e tidos na mais respeitosa estima, pois fazem as vezes de Deus, e em seus concílios o próprio Deus se assenta e julga.4 São eles os juizes e príncipes a quem Deus entregou a espada para o louvor e defesa dos bons e para justo castigo e vingança de todos os malfeitores.5 Além disso, afirmamos que a purificação e preservação da religião é, sobretudo e particularmente, dever de reis, príncipes, governantes e magistrados. Não foram eles ordenados por Deus apenas para o governo civil, mas também para manter a verdadeira religião e para suprimir toda idolatria e superstição. Pode-se ver isso em Davi,6 Josafá,7 Josias,8 Ezequias9 e outros altamente recomendados pelo seu singular zelo.
Por isso, confessamos e declaramos que todos quantos resistem à suprema autoridade, usurpando o que pertence ao ofício desta, resistem a essa ordenação de Deus e, portanto, não podem ser considerados inculpáveis diante dele. Afirmamos mais que, enquanto príncipes e governantes vigilantemente cumprirem sua função, quem quer que lhes recusar auxílio, conselho e assistência nega-o a Deus, que pela presença do seu lugar-tenente lhes solicita isso.
1. Rm 13:1; Tt 3:1; 1Pd 2:13-14.
2. Rm 13:2.
3. Rm 13:7; 1Pd 2:17.
4. Sl 82:1.
5. 1Pd 2:14.
6. 1Cr 22-26.
7. 2Cr 17:6, etc.; 19:8, etc.;
8. 2Cr 29-31.
9. 2Cr 34-35.

25º CAPÍTULO
Os Dons Livremente Concedidos à Igreja

Embora a Palavra de Deus verdadeiramente pregada, os sacramentos corretamente ministrados e a disciplina executada segundo a Palavra de Deus sejam sinais certos e incontestáveis da verdadeira Igreja, contudo nem por isso julgamos nós que toda pessoa, individualmente, nessa comunidade seja um membro escolhido de Jesus Cristo.1 Reconhecemos e confessamos que o joio pode ser semeado com o bom trigo, e joio e palha crescem em grande abundância no trigal, isto é, que réprobos podem unir-se às congregações dos escolhidos e comungar com eles nos benefícios externos da Palavra e dos sacramentos. Mas, como eles só confessam a Deus por um pouco com seus lábios e não com seus corações, desviam-se e não continuam até o fim.2 Portanto, não participam dos frutos da morte, ressurreição e ascensão de Cristo.
Mas os que de coração crêem, sem nenhuma simulação, e corajosamente confessam com seus lábios o Senhor Jesus, receberão esses dons com a mais absoluta certeza, como dissemos acima.3 Primeiramente, nesta vida terão a remissão dos pecados, e isso unicamente pela fé no sangue de Cristo; Pois, apesar de o pecado permanecer e continuamente habitar nestes nossos corpos mortais, contudo ele não nos será imputado, mas será perdoado e coberto pela justiça de Cristo.4 Em segundo lugar, no juízo geral conceder-se-á a cada homem e mulher a ressurreição da carne.5 O mar devolverá os seus mortos e a terra aqueles que nela estão sepultados. Sim, o eterno Deus estenderá a sua mão sobre o pó da terra e os mortos ressurgirão incorruptíveis,6 e na substância da mesma carne que cada um agora tem,7 para receber, segundo as suas obras, ou a glória ou o castigo.8 Os que agora se deleitam na vaidade, na crueldade, na impureza, na superstição ou idolatria serão condenados ao fogo inextinguível, no qual em seus corpos e espíritos - os quais agora servem o Diabo cometendo toda abominação - eles serão atormentados para sempre. Mas os que continuam a fazer o bem até o fim confessando corajosamente o Senhor Jesus cremos firmemente que eles possuirão a glória, a honra e a imortalidade, para reinarem para sempre na vida eterna com Jesus Cristo,9 a cujo corpo glorificado todos os escolhidos se tornarão semelhantes,10 quando ele aparecer de novo no juízo e entregar o Reino a Deus, seu Pai, o qual será então e para sempre permanecerá tudo em todas as coisas, Deus bendito para todo o sempre,11 a quem, com o Filho e o Espírito Santo seja toda honra e glória, agora e para sempre. Amém.
Levanta-te, ó Senhor, e sejam confundidos todos os teus inimigos; fujam da tua presença os que odeiam o teu divino Nome. Dá aos teus servos forças para proclamarem a tua Palavra com ousadia, e que todas as nações se apeguem ao verdadeiro conhecimento de ti. Amém.12
1. Mt 13:24, etc.
2. Mt 13:20-21.
3. Rm 10:9,13.
4. Rm 7; 2Co 5:21.
5. Jo 5:28-29.
6. Ap 20:13.
7. Jó 19:25-27.
8. Mt 25:31-46.
9. Ap 14:10; Rm 2:6-10.
10. Fp 3:21.
11. 1Co 15:24,28.
12. Nm 10:35; Sl 68:1; At 4:29.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O PRESBITERIANISMO NA ESCÓCIA


Por:Alderi Souza de Matos


O primeiro pregador do protestantismo na Escócia foi Patrick Hamilton, um jovem erudito, simpatizante de Lutero, que foi morto na fogueira em 1528. O pioneiro da fé reformada foi George Wishart, um jovem culto que estudou na Suíça e lecionou na Universidade de Cambridge. Condenado por heresia, foi igualmente queimado vivo, em 1546. Sua vida, pregação e morte causaram vívida impressão no povo escocês. O líder seguinte foi John Knox, nascido entre 1505 e 1515, que havia sido guarda-costas de Wishart. Depois de passar um ano e meio como escravo em um navio francês, ele fugiu para a Inglaterra, onde se tornou capelão do jovem rei Eduardo VI. No reinado sangrento de Maria Tudor (1553-1558), foi para o continente e passou três anos em Genebra, onde estudou aos pés de Calvino. Pastoreou uma igreja de refugiados de língua inglesa e retornou à Escócia em 1559, tornando-se o líder da Reforma em seu país. Naqueles dias conturbados, ele clamou: “Ó Deus, dá-me a Escócia ou morrerei!”

Em agosto de 1560, sob a liderança de Knox, o Parlamento renunciou ao catolicismo e adotou a fé reformada para a Escócia. Em poucos dias, Knox e outros quatro homens redigiram aConfissão Escocesa, nitidamente calvinista, que foi prontamente adotada pelo Parlamento. Em dezembro reuniu-se a primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana da Escócia, que redigiu o Livro de Disciplina ou constituição da igreja. Compareceram apenas seis pastores e 36 presbíteros. Na época, havia somente doze ministros protestantes em todo o país. No ano seguinte, subiu ao trono a rainha Maria Stuart, que se esforçou por restaurar o catolicismo, no que foi firmemente combatida por Knox. Forçada a abdicar, Maria fugiu para a Inglaterra, onde foi executada muitos anos mais tarde. Knox continuou o seu trabalho de reformador e pregador até a sua morte em 1572. Diante de seu túmulo, um líder declarou: “Aqui jaz alguém que nunca temeu a face do homem”.

O próximo líder da Igreja da Escócia foi Andrew Melville (1545-1622), que a tornou plenamente presbiteriana mediante uma revisão do primeiro Livro de Disciplina. Ele era dotado de grande cultura, conhecia vários idiomas e estudou o calvinismo em Genebra. Regressando para a Escócia em 1574, tornou-se o dirigente da Universidade de Glasgow e depois da Universidade de Saint Andrews. Travou lutas amargas com o jovem rei Tiago VI, que em 1603 também se tornou Tiago I da Inglaterra. Filho de Maria Stuart, ele havia sido educado como presbiteriano, mas acabou se tornando grande adversário dos reformados nos dois países, favorável que era ao sistema episcopal. Prendeu Melville na Torre de Londres por quatro anos e depois o baniu do país. Melville foi para Sedan, na França, onde lecionou em uma escola de teologia até o fim da vida. Um biógrafo da época disse: “A Escócia jamais recebeu maior benefício das mãos de Deus do que esse homem”.

A teologia reformada continuou a dominar a história da Igreja da Escócia, mas houve uma longa luta pela supremacia entre os sistemas presbiteriano e episcopal no final do século 16 e início do século seguinte. O presbiterianismo foi vigorosamente reafirmado em 1638, sob a liderança de Alexander Henderson, mas o episcopado voltou a ser imposto à igreja entre 1660 e 1689, quando ela tornou-se definitivamente presbiteriana. Uma página inspiradora dessa história será mostrada no próximo número
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