quarta-feira, 23 de julho de 2014

Veracidade

Agora, pois, Ó SENHOR Deus, tu mesmo és Deus, e as

tuas palavras são verdade, e tens prometido a teu servo este

bem. (2Sm 7.28)

Uma terceira palavra que estabelece o arcabouço para

uma cosmovisão cristã é veracidade. O Cristianismo

autêntico, como nós estamos vendo, está preocupado do

princípio ao fim com a verdade. A fé cristã não tem a ver primariamente

com sentimentos, embora sentimentos

profundos com certeza resultarão do impacto da verdade no

nosso coração. Não tem a ver com relações humanas, muito

embora as relações sejam o foco principal de muitos púlpitos

evangélicos atualmente. Não tem a ver com sucesso e

bênçãos terrenas, não importa quanto uma pessoa possa ter

essa impressão ao assistir os programas que dominam a

televisão religiosa estes dias.

O Cristianismo bíblico é todo sobre verdade. A revelação

objetiva de Deus (a Bíblia) interpretada racionalmente produz

verdade divina em medida perfeitamente suficiente. Tudo o

que nós precisamos saber para a vida e a piedade está se

encontra nas Escrituras (2Pe 1.3). Deus escreveu somente

um livro — a Bíblia. Ela contém toda a verdade pela qual ele

tenciona que orientemos nossa vida espiritual. Não temos

necessidade de consultar qualquer outra fonte de princípios

morais ou espirituais. As Escrituras não são apenas a

verdade inteira; elas são também o mais elevado padrão de

toda verdade — a regra pela qual todas as alegações de

verdade devem ser medidas.

Tal convicção é a exata antítese da noção pósmodernista

de que ninguém deve alegar conhecer a verdade

objetiva. E essa é outra grande razão pela qual o

Cristianismo tem sido bombardeado pelos proponentes do

inclusivismo pós-moderno.

O Cristianismo autêntico é a "fé que uma vez por todas

foi entregue aos santos" (Jd 1:3). A verdade cristã não está

sujeita a mudança ou emenda. Não é anulada por alterações

na opinião do mundo ou nos padrões do que possa ser

politicamente correto. Não precisa ser adaptada e redefinida

para cada nova geração.

Certamente que uma compreensão individual da

verdade pode ser refinada e apurada pelo estudo das

Escrituras, mas a verdade em si não necessita ser

reinventada ou remoldada a fim de se tomar apropriada para

os tempos em que vivemos. A mesma verdade em que

Abraão, Moisés, Davi e os apóstolos acreditavam é ainda

verdade para nós. Tempos mutáveis não mudam a verdade.

As Escrituras são imutáveis como também o próprio Deus: "

... a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente" (1Pe

1.25). Em outras palavras, nós precisamos adaptar nossa

compreensão à verdade da Palavra de Deus, não tentar

manipular as Escrituras num esforço vão de harmonizá-la

com opiniões mutáveis deste mundo.

A verdade das Escrituras é algo precioso que deve ser

cuidadosamente manejado e zelosamente guardado (1Tm

6.20). Mais uma vez, uma compreensão apropriada das

Escrituras envolve estudo consciencioso e diligente. Segundo

Timóteo 2.15 diz, "Procura apresentar-te a Deus aprovado,

como obreiro que não tem de que se envergonhar, que

maneja bem a palavra da verdade." Por implicação nós vemos

que todos os que não manejam as Escrituras corretamente,

são trabalhadores desleixados que devem ser envergonhados

A expressão traduzida por "maneja bem" vem da expressão

grega que significa "cortar reto."

Paulo estava utilizando sua própria experiência como

um fazedor de tendas e aplicando um princípio aprendido do

oficio para interpretação da Bíblia. Tendas eram feitas de

materiais como peles de cabras. Visto que cabras são

animais relativamente pequenos, nenhuma pele era grande o

suficiente para fazer uma tenda. Portanto, o fazedor de

tendas tinha de cortar muitas peles de cabras conforme um

padrão e costurá-las para fazer uma tenda grande.

Obviamente se os pedaços não fossem cortados retos eles não

se ajustariam apropriadamente. Então quando o apóstolo

Paulo diz que devemos "cortar reto" as Escrituras ele quer

dizer que as passagens individuais das Escrituras devem ser

interpretadas de modo que uma combina perfeitamente com

a outra de uma forma coerente e harmoniosa.

Em outras palavras ninguém tem o direito de ser um

teólogo se não for um exegeta. É impossível que você consiga

entender o todo se você não puder colocar todos os pedaços

juntos de forma correta. E se você for lidando de forma

errada com os pedaços eles não se ajustarão uns aos outros.

Interpretações errôneas não irão ao final se encaixar num

todo coerente. Você tem de interpretar as passagens

individuais corretamente (cortá-las de forma reta). Você faz

isso comparando as Escrituras com as Escrituras — ou seja,

deixando as Escrituras serem a regra pela qual se interpreta

as Escrituras. Quando isso é feito de forma correta — quando

você entendeu corretamente os textos das Escrituras — então

eles se encaixam uns aos outros, e o todo aparece da

maneira como Deus planejou.

Precisamente porque ela é a "palavra da verdade" tanto

no todo quanto em partes, as Escrituras se encaixam

perfeitamente. Este encaixe perfeito é uma das maneiras pela

qual nós sabemos que temos interpretado as seções das

Escrituras corretamente. Então as Escrituras corretamente

interpretadas apresentam a verdade. E esta verdade é a

substância de nossa mensagem.

Nos tempos de Paulo, da mesma forma que atualmente,

havia homens que buscavam posições de destaque no

ministério e liderança da igreja, mas não estavam realmente

preocupados com a verdade. Eles fabricavam sua mensagem

à medida que prosseguiam. Estavam aparentemente

buscando prestígio ou influência, ou algum outro tipo mais

sinistro de gratificação carnal. O ensinamento deles,

portanto, torcia a verdade. Paulo se referia a isso como

"falatórios inúteis e profanos" (2Tm 2.16). Essa afirmação

segue imediatamente após sua admoestação a Timóteo sobre

manejar bem a palavra da verdade.

Ele escreve, "Evita, igualmente, os falatórios inúteis e

profanos, pois os que deles usam passarão a impiedade

ainda maior. Além disso, a linguagem deles corrói como

câncer; entre os quais se incluem Himeneu e Fileto. Estes se

desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição já se

realizou, e estão pervertendo a fé a alguns" (2Tm 2.16-18).

Observe-se que o apóstolo Paulo não se importou em

citar os nomes. Ele não estava preocupado em ser

politicamente correto; ele estava preocupado com a verdade.

E os fornecedores de mentiras deviam ser identificados e

respondidos com a verdade. A verdade torcida deles estava de

fato derrubando a fé de alguns.

Verdade e fé são inseparavelmente entretecidas. As

pessoas não podem ter fé genuína fora da verdade. A fé real

envolve a concordância da mente e a submissão da vontade à

verdade. Então, se subtrair a verdade da equação você

derruba a fé, como Himeneu e Fileto estavam fazendo.

Você se dá conta de que a verdade é instrumental na

salvação? As pessoas não podem ser salvas sem ouvir e

abraçar a verdade. Romanos 6.17 diz, " ... graças a Deus

porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a

obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes

entregues." Em outras palavras, as pessoas são salvas

quando são libertas do erro para a sã doutrina a verdade.

Existe um sentido real no qual fomos salvos pela verdade.

Pedro escreve, "Tendo purificado a vossa alma, pela vossa

obediência à verdade" (1Pe 1.22). Nós somos regenerados

pela palavra da verdade (v. 23).

Portanto, a verdade é tudo para um cristão.

É por essa razão que somos chamados a refutar o erro,

defender a verdade e proclamar as Escrituras como a

suprema verdade contra toda mentira propagada pelo

mundo.

Eu temo que a igreja nesta época pós-moderna tenha

deixado de se concentrar nesse fato. Não é mais considerado

necessário lutar pela verdade. De fato, muitos evangélicos

agora consideram maus modos e descaridoso discutir sobre

qualquer ponto da doutrina. Até mesmo os erros grosseiros

são agora totalmente toleráveis em alguns ambientes em

nome de preservar a paz. Em lugar de manejar bem a Palavra

da verdade e proclamá-la como verdadeira, muitas igrejas

agora apresentam palestras, dramas, comédias e outras

formas de entretenimento motivacionais — enquanto ignoram

as grandes doutrinas da fé. Enquanto isso pessoas que

atacam a verdade de forma pretensamente erudita encontram

no meio evangélico editoras que publiquem os seus escritos e

são honradas como se tivessem profundo entendimento.

Precisamos recuperar nosso amor pela verdade bíblica,

bem como nossa convicção de que ela é verdade indiscutível.

Nós temos a verdade num mundo em que a maioria das

pessoas está simplesmente vagando sem rumo em ignorância

desesperada. Precisamos proclamar do topo dos telhados e

parar de brincar com aqueles que sugerem que nós estamos

sendo arrogantes se alegarmos que sabemos alguma coisa

como certo.

Nós temos a verdade, não porque somos mais

inteligentes ou melhores do que outros, mas porque Deus a

revelou nas Escrituras e foi gracioso em abrir nossos olhos

para vê-la. Estaríamos pecando se tentássemos guardar a

verdade só para nós mesmos.

(Princípios para uma cosmovisão bíblica – John MacArthur. Pg.30)

Autoridade

Maravilhavam-se da sua doutrina, porque

os ensinava como quem tem autoridade e

não como os escribas. (Mc 1.22)

Um entendimento da autoridade da Bíblia é a quarta

pedra fundamental para uma cosmovisão cristã. Visto que

acreditamos que as Escrituras são verdadeiras, nós devemos

proclamá-las com convicção, sem transigir e sem nos

desculparmos. A Bíblia faz alegações ousadas e os cristãos

que crêem nela devem afirmá-las com ousadia.

Qualquer pessoa que fielmente e corretamente proclama

a Palavra de Deus irá falar com autoridade. Não é a nossa

autoridade. Nem ao menos é a autoridade eclesiástica ligada

ao oficio de um pastor ou professor na igreja. É uma

autoridade ainda maior que essa. Na medida que nosso

ensino reflete com precisão a verdade das Escrituras, ele tem

o peso total da própria autoridade de Deus. Este é um

pensamento surpreendente, mas é precisamente como

1Pedro 4.11 nos instrui em como manusear a verdade

bíblica: "Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de

Deus."

Esta é naturalmente uma profunda ameaça à tolerância

de uma sociedade que ama seu pecado e pensa que

transigência é uma coisa boa. Falar ousadamente e declarar

que Deus falou com finalidade não é moda nem politicamente

correto, mas se nós cremos verdadeiramente que a Bíblia é a

Palavra de Deus, como podemos manuseá-la de outra

maneira?

Muitos evangélicos modernos, amedrontados pelas

exigências do pós-modernismo, alegam crer nas Escrituras,

mas depois se abstém de proclamá-la com qualquer

autoridade. Eles estão dispostos a falar sobre a verdade das

Escrituras, mas na prática eles a desnudam de sua

autoridade, tratando-a apenas como mais uma opinião num

grande mix de idéias pós-modernas.

Nem as Escrituras nem o bom senso irão permitir tal

postura. Se a Bíblia é verdadeira então ela tem também

autoridade. Como verdade divinamente revelada ela carrega o

peso inteiro da própria autoridade de Deus. Se você alega

crer na Bíblia de algum modo, você finalmente tem de se

curvar à sua autoridade. Isto significa fazer dela o final

árbitro da verdade — a regra pela qual toda opinião é

avaliada.

A Bíblia não é apenas uma outra idéia para ser jogada

numa discussão pública e aceita ou rejeitada como o

indivíduo desejar. É a Palavra de Deus e exige ser recebida

como tal, com a exclusão de todas as outras opiniões.

Obviamente, essa maneira de avaliar a verdade é

impopular hoje. Segundo a nova tolerância pós-moderna,

todo mundo tem direito a ter sua própria opinião de acordo

com suas preferências; toda crença tem de receber igual

respeito; e ninguém deve alegar superioridade para qualquer

ponto de vista.

Com efeito, então, a tolerância pós-moderna implica em

total rejeição de todo conceito de autoridade divina. Ela

acarreta uma negação de que Deus verdadeiramente falou,

ou no mínimo, uma negação de que suas palavras têm

qualquer autoridade real.

Como cristãos nós enfrentamos uma escolha clara: ou

acompanhar o espírito da época e reduzir a autoridade das

Escrituras, ou aceitar as Escrituras e colocar sua autoridade

e nós mesmos contra o resto do mundo. Nosso dever é claro

(Tg 4.4).

Não obstante, parece que muitos dos líderes da

comunidade evangélica, pessoas que são vistas e ouvidas,

estão temerosos de afirmar a autoridade bíblica. Raramente o

pregador evangélico fala claramente ao mundo com um

autorizado "Assim diz o Senhor." Como é que nós chegamos

ao ponto em que podemos aceitar como autoridade a opinião

de um advogado, um médico, um arquiteto, mas não

podemos tolerar a autoridade da Palavra de Deus?

Será que os evangélicos ainda acreditam sem reservas

que a verdade bíblica tem autoridade divina? Evidentemente

não. Tem se tomado moda falar sobre o choque entre verdade

e erro como um "diálogo." Toda vez que um conflito se levanta

entre o Cristianismo e outro ponto de vista, alguns líderes

evangélicos convocam um diálogo com os defensores do outro

ponto de vista. Na última década líderes evangélicos bem

conhecidos têm patrocinado diálogos formais com uma

variedade ampla de figuras religiosas não-cristãs, líderes de

seitas, defensores de vários estilos de vida e representantes

de praticamente todo ponto de vista que é hostil ao

Cristianismo bíblico.

Pouco após o evento terrorista de 11 de setembro nos

Estados Unidos da América, uma de suas mais conhecidas

igrejas evangélicas patrocinou um diálogo com um clérigo

islâmico (imam) no culto de adoração do final de semana,

ostensivamente para reunir cristãos e muçulmanos. "Eu

achei muito interessante ver o quanto nós temos em

comum," disse um membro da igreja a um repórter depois do

culto. Outro disse que o diálogo com o imam tinha "aberto

portas para comunicar e mostrou que os muçulmanos são

gente do mesmo jeito que nós." Segundo o repórter que

cobria o evento, aquelas respostas eram "o tipo de impacto

que o pastor desejava."1

Por quê tais diálogos sempre parecem minimizar as

diferenças entre o Cristianismo e a falsa religião — e nunca

traçar linhas de distinção mais claramente?

A verdade bíblica é para ser proclamada com

autoridade, não colocada na mesa para discussão apenas

como uma alternativa possível entre outros pontos de vista.

O conflito entre verdade bíblica e crenças rivais não é

assunto para ser resolvido por meio de diálogo. Essa é uma

guerra espiritual não uma festa descontraída. Ela deve ser

vista como um combate não uma conversação. Nós

recebemos ordens de destruir as fortalezas do pensamento

anti-bíblico " ... e toda altivez que se levante contra o

conhecimento de Deus ... levando cativo todo pensamento à

obediência de Cristo" (2Co 10.5).

Mas as igrejas têm se tornado tão efeminadas e fracas

nestes tempos que os mais evangélicos parecem pensar que

tal postura de militância contra o erro é inconveniente e

demasiado severa. Os cristãos têm virtualmente se rendido

na batalha pela verdade. Como resultado, a comunidade

evangélica se tornou um lugar onde as pessoas podem

advogar virtualmente qualquer coisa ou promover quase

qualquer doutrina, e a única coisa que ninguém pode dizer é

que alguém está errado.

Existe até um nome para a nova perspectiva: É chamada

"hermenêutica da humildade." Um resumo da proposta de

um seminário no assunto diz o seguinte:

O curso visa auxiliar os alunos a aprenderem a formular

uma nova teologia e métodos que são relevantes e

significativos no mundo pluralista, multicultural, pósmoderno,

no qual somos chamados a ministrar. É

basicamente uma tentativa de articular uma hermenêutica...

Baseada no diálogo, um esforço sincero de extrapolar os

limites dos pontos de vista individual, isto é, uma

hermenêutica da humildade.2

Um outro que defende o mesmo objetivo diz, Os cristãos

devem destilar as preciosas percepções do pós-modernismo

com sua cultura multicultural e desconstruída.

Nós precisamos extrair desta crítica radical o que é

apropriado para uma visão cultural cristã renovada —

desenvolvendo uma hermenêutica da humildade. Nós

precisamos dar um exemplo de uma postura cultural nãotriunfalista,

que ouve e confessa.

Mas a Bíblia nada sabe da tal "hermenêutica" baseada

no diálogo com outros pontos de vista. Nossa pregação das

Escrituras deve ter autoridade. Em Tito 2.1, o apóstolo Paulo

disse a um jovem pregador, "Tu, porém, fala o que convém à

sã doutrina" (Tt 2.1). No final deste mesmo capítulo ele

acrescentou, "Dize estas coisas; exorta e repreende também

com toda a autoridade. Ninguém te despreze" (Tt 2.15). A

palavra traduzida como "desprezar" é o termo grego

kataphroneo, que literalmente significa "pensar ao redor."

Paulo está dizendo a Tito, "Não deixa ninguém te iludir; não

deixa ninguém frustrar a verdade. Prega a sã doutrina;

ensina e exorta as pessoas com autoridade que é inerente na

Palavra de Deus, e confronta ou repreende as pessoas que se

opõe à verdade."

Nas palavras de 1 Timóteo 4.11: "Ordena e ensina estas

coisas" (ênfase acrescentada).

Isso não significa que devamos ser abusivos ou

grosseiros, naturalmente. É possível ser ao mesmo tempo

ousado e caridoso e esse é o equilíbrio que nós precisamos

buscar. Paulo diz em Efésios 4.15 que devemos falar "a

verdade em amor", mas proclamá-la com a devida

autoridade.

Não existe nenhum outro meio genuíno de manusear a

verdade bíblica. Ela é afinal a verdade bíblica revelada pelo

próprio Deus e deve ser proclamada como tal.

 (Princípios para uma cosmovisão bíblica – John MacArthur. Pg.35)

Incompatibilidade

À lei e ao testemunho! Se eles não falarem

desta maneira, jamais verão a alva. (Is 8.20)

As Escrituras dizem que "mentira alguma jamais

procede da verdade" (1Jo 2.21). Como cristãos nós sabemos

que seja o que for que contradiga a verdade bíblica é, por

definição, falso. Em outras palavras, a verdade é

incompatível com o erro. Incompatibilidade é, portanto, uma

quinta palavra essencial para descrever uma cosmovisão

bíblica.

Claramente e sem rodeios, Jesus afirmou a total

exclusividade do Cristianismo. Ele disse, "Eu sou o caminho,

e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo

14.6). ". não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do

céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens,

pelo qual importa que sejamos salvos" (At 4.12).

Obviamente este tipo de exclusividade é

fundamentalmente incompatível com a tolerância pósmoderna.

Como cristãos nós devemos entender que seja o que for

que se oponha à Palavra de Deus ou de alguma maneira se

afaste dela é um perigo à causa da verdade. Passividade em

relação ao erro conhecido não é uma opção para o cristão. A

intolerância para com o erro encontra-se permeada nas

próprias Escrituras. E tolerância para com o erro conhecido é

tudo menos uma virtude.

Verdade e erro não podem ser combinadas para produzir

algo bom. Elas são incompatíveis da mesma forma que a luz

e as trevas. "Não vos ponhais em jugo desigual com os

incrédulos; porquanto, que sociedade pode haver entre a

justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as

trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que

união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o

santuário de Deus e os ídolos?" (2Co 6.14-16).

Nós não podemos dizer ao mundo, "Isto é verdade, mas,

seja lá o que for que você quiser acreditar, também está

bem." Não está bem. As Escrituras nos ordenam a ser

intolerantes para com qualquer idéia que negue a verdade.

Para que ninguém entenda mal, eu não estou

defendendo dogmatismo em nenhum tema teológico.

Algumas coisas nas Escrituras não são perfeitamente claras.

Nas palavras da Confissão de Fé de Westminster, "Todas as

coisas, por si mesmas, não são igualmente claras nas

Escrituras, nem igualmente evidentes a todos" (1.7).

Algumas vezes nós não podemos reconstruir o contexto

histórico para entender uma dada passagem. Um exemplo

notável é a menção dos que "se batizam por causa dos

mortos" em 1Coríntios 15.29. Existem pelo menos quarenta

idéias diferentes sobre o que este versículo significa. Nós não

podemos ser dogmáticos sobre tais coisas, mas essas são

raridades nas Escrituras.

O ensinamento central das Escrituras é simples e tão

claro que até mesmo uma criança pode entendê-la O

caminho da salvação em particular é tão claro que "quem

quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o louco" (Is

35.8). E nas palavras da Confissão de Fé de Westminster

novamente, "não obstante, aquelas coisas que precisam ser

conhecidas, cridas e observadas para a salvação são tão

claramente expostas e visíveis, em um ou outro lugar da

Escritura, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no

devido uso dos meios ordinários, podem alcançar um

suficiente entendimento delas" (1.7).

Toda a verdade que é necessária para a salvação é

facilmente entendida de um modo verdadeiro por qualquer

pessoa que aplica o bom senso e devida diligência em buscar

entender o que a Bíblia ensina. E essa verdade — o cerne da

mensagem das Escrituras — é incompatível com qualquer

outro sistema de crença. Sobre isso nós temos de ser

dogmáticos.

Não é de se admirar que o pós-modernismo, que se

orgulha de ser tolerante com todo ponto de vista oposto, seja

contudo hostil ao Cristianismo bíblico. Até o mais

determinado pós-modernista reconhece que o Cristianismo

bíblico é por sua natureza totalmente incompatível com uma

posição de abertura mental indiscriminada. Se aceitarmos o

fato de que a Escritura é a verdade objetiva com a autoridade

de Deus, nós seremos obrigados a ver que todo outro ponto

de vista não é igualmente ou potencialmente válido.

Não há necessidade de buscar um terreno comum

através de diálogo com proponentes de pontos de vista

anticristãos, como se a verdade pudesse ser refinada pelo

método dialético. É loucura pensar que a verdade dada por

revelação divina precisa de qualquer refino ou atualização.

Nem tampouco devemos imaginar que nós podemos

encontrar os pontos de vista opositores em algum terreno

neutro filosófico. O terreno entre nós não é neutro. Se nós

realmente acreditamos que a Palavra de Deus é verdadeira,

nós sabemos que toda oposição é um erro. E somos

instruídos a não ceder qualquer espaço ao erro.

Em 2João 1.9-11 o apóstolo João escreveu, "Todo aquele

que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece

não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto

o Pai como o Filho”. Se alguém vem ter convosco e não traz

esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boasvindas.

“Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se

cúmplice das suas obras más." Isso é que é

incompatibilidade' Nosso amor pela verdade demanda uma

intolerância do erro. Para ser claro, o apóstolo não estava

advogando rudeza nem falta de hospitalidade para com os

descrentes em geral (Novamente, a Escritura claramente nos

ordena a mostrar amor e bondade mesmo para com nossos

inimigos), mas João estava tratando com o problema dos

falsos mestres itinerantes na igreja primitiva. Tipicamente,

aqueles qualificados para ensinar a doutrina naquele tempo

viajavam de cidade em cidade e buscavam abrigo nos lares

dos crentes. João estava dizendo que quando um conhecido

fornecedor de falsas doutrinas viesse buscando acomodação,

não era para ele ser recebido na comunhão; não era para ele

receber hospitalidade grátis; não era para ele receber

encorajamento de nenhuma espécie — especialmente uma

acolhida que significasse apoio ao seu trabalho de ensinar

falsas doutrinas. A antítese entre verdade e erro era tão

importante que os crentes tinham o dever sagrado de deixar

clara a desaprovação deles a qualquer um que

deliberadamente corrompesse a verdade com mentiras.

De modo semelhante o apóstolo Paulo escreveu, " ...

ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue

evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja

anátema [maldito]. “Assim, como já dissemos, e agora repito,

se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que

recebestes, seja anátema" (Gl1. 8,9). A fala é pesada, mas o

ponto é clara: quando alguém torcer a verdade fundamental

do evangelho, mesmo que ele seja um anjo ou um apóstolo,

que seja amaldiçoado.

Advertências contra falsos mestres enchem o Novo

Testamento. É um tema importante nas epístolas pastorais,

2Pedro, Judas e 2João. Tudo o que for anti-bíblico —

incluindo toda falsidade, qualquer má interpretação das

Escrituras e toda heresia — não é para ser tolerado por

aqueles que amam a verdade. É um perigo para a verdade e

uma desonra à verdade de Deus. Uma cosmovisão bíblica é

incompatível com qualquer tipo de tolerância de mentiras.

(Princípios para uma cosmovisão bíblica – John MacArthur. Pg.40)