sábado, 8 de fevereiro de 2020

O significado da Bíblia numa perspectiva reformada

Resumo 
Este artigo visa oferecer, à luz do capítulo primeiro da Confissão de Fé de Westminster e do pensamento de Calvino expresso em suas Institutas da Religião Cristã, uma perspectiva reformada a respeito da Bíblia, tratando, em termos gerais, das questões de sua importância, extensão, inspiração e autoridade, bem como seu caráter normativo como única regra de fé e de prática, o papel do Espírito Santo em sua leitura e compreensão, sua interpretação, e o interesse dos reformados em tornar a Sagrada Escritura acessível a todos.

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segunda-feira, 25 de março de 2019

A Imagem de Deus


A Integridade Original da Natureza Humana
por
Rev. Gildásio Reis



Introdução: Este talvez seja um dos capítulos mais importantes que estudaremos. Tentaremos responder perguntas como: Em que consiste a imagem de Deus no homem? Que efeito teve a queda do homem sobre a imagem de Deus? O que queremos dizer quando afirmamos que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus?
O conceito de imagem de Deus é o coração da antropologia cristã. Precisamos entender bem este conceito.
O homem distingue-se das demais criaturas de Deus, porque foi criado de uma maneira singular. Apenas do homem é dito que ele foi criado à imagem de Deus. Esta expressão descreve o homem na totalidade de sua existência, ele é um ser que reflete e espelha Deus. (Gn 1:26-28).
Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.
Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. (Gn 1:26-28).
A imagem de Deus no homem não é algo acidental, mas é algo essencial à natureza humana. O homem não pode ser homem sem a imagem de Deus. O homem é a imagem de Deus, não simplesmente a possui, como se fosse algo que lhe foi acrescentado.

“Imagem” e “Semelhança”?
Qual o significado destas palavras?
Aqui eu quero ver com os irmãos, os 4 estágios da imagem de Deus no homem. A imagem original, a imagem desfigurada, A imagem restaurada e a Imagem aperfeiçoada.
1 - A imagem de Deus no homem originalmente
No Velho Testamento encontramos apenas três passagens que tratam de forma específica a questão da imagem de Deus. (Gen. 1:26-28; 5:1-3; 9:6).
“Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” . Sobre o significado das palavras "Imagem e Semelhança" entendemos que elas não se referem a coisas diferentes, embora alguns defensores da fé do passado tivessem crido diferente (1).
Veja as razões porque entendemos que estes dois termos querem significar a mesma coisa:

Em Gênesis 1.26, aparecem as duas palavras "imagem e semelhança"; em 1.27 o autor usou apenas o termo "imagem"; em 5.1 ele resolve substituir o termo por outro - "semelhança", e, em 5.3, o autor novamente volta a usar as duas palavras, contudo em ordem diferente daquela usada em 1.26 - "semelhança e imagem" e em 9.6 ele volta a usar apenas um dos termos, optando agora pelo termo "imagem". Isto deixa suficientemente claro para nós que "imagem e semelhança" são termos sinônimos, e que querem dizer a mesma coisa. Caso não fosse assim, o autor não faria estas mudanças alternando os termos.

O Que Significa ser Criado á Imagem e Semelhança?
Mas o que entendemos por Imagem e Semelhança? Por estes dois termos queremos dizer que o homem foi criado para refletir, espelhar e representar Deus. Nossos primeiros pais foram criados para refletir as qualidades que haviam em Deus, e isto em perfeita obediência, sem pecado. Agostinho diz que o homem foi criado "capaz de não pecar" (2). O homem podia agir perfeitamente e obedientemente na adoração, no serviço a Deus, no domínio e cuidado da criação e no amor e companheirismo uns com os outros.
Berkhof diz que na concepção reformada, a Imagem de Deus consiste na integridade original da natureza do homem, integridade esta expressa:
a. No Conhecimento Verdadeiro – Cl 3.10 
E vos revestistes do novo homem, que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”.

b. Na Justiça - Ef. 4.24
E vos revestais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”.

c. Na Santidade - Ef 4:24 
E vos revestiais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (3).
Van Groningen assevera que:
Ao criar a humanidade à sua própria imagem, Deus estabeleceu uma relação na qual a humanidade poderia refletir, de modo finito, certos aspectos do infinito Rei-Criador. A humanidade deveria refletir as qualidades éticas de Deus, tais como "retidão e verdadeira santidade"... e seu "conhecimento" (Cl 3.10). A humanidade deveria dar expressão às funções divinas em ralação ao cosmos e atividades tais como encher a terra, cultivá-la e governar sobre o mundo criado. A humanidade em uma forma física, também refletiria as próprias capacidades do Criador: apreender, conhecer, exercer amor, produzir, controlar e interagir (4).
Percebemos nas palavras do Dr. Van Groningen que ele apresenta a imagem de Deus como tendo uma tríplice relação:
A. Relação com Deus, 
B. Relação com o próximo 
C. Relação com a criação.
Iremos verificar em nosso estudo que em seu estado glorificado, os santos refletirão esta imagem e semelhança restaurando no estado final, esta tríplice relação em sua perfeição.
Antes de o homem cair em pecado, ele refletia perfeitamente a imagem de Deus. Tudo estava em perfeita harmonia. Mas em que consistia este refletir a imagem de Deus?(5)
1 - O homem reflete a imagem de Deus como um ser que é relacional. Ele não é um ser que vive isolado, assim como Deus não vive só. Deus é Tripessoal, e se relaciona entre as pessoas da Trindade (Gn 1.26 "Façamos o homem ... ")
O homem é uma pessoa, e como tal ele se relaciona. Foi por isto que Deus lhe fez uma companheira.
2 – O homem reflete a imagem de Deus pela sua capacidade de dominar sobre as outras coisas criadas.
O homem foi colocado como "senhor" da terra, para governá-la e cuidar dela. (Gn 1.26-28). O domínio do homem sobre as coisas criadas é parte essencial de sua natureza. Nesse sentido, o homem imita o Seu Criador, pois Deus é o Senhor soberano e absoluto exercendo domínio sobre toda a terra.
A Deus pertence o domínio e o poder; ele faz reinar a paz nas alturas celestes. Jó 25.2
O teu reino é o de todos os séculos, e o teu domínio subsiste por todas as gerações. O SENHOR é fiel em todas as suas palavras e santo em todas as suas obras. Sl 145.13
Dn. 4.3,25,34
Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas, as suas maravilhas! O seu reino é reino sempiterno, e o seu domínio, de geração em geração. v. 3
Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e dar-te-ão a comer ervas como aos bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer. v. 25
Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. v. 34
Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! 1Pe 4.11

Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra. Sl 72.8
3 – O homem reflete a imagem de Deus por ter atributos que chamamos "essenciais" nele; sem os quais ele não poderia continuar sendo o que é:
a) Poder intelectual: É a faculdade de raciocinar, inteligência e outras capacidades intelectivas em geral, que refletem aquilo que Deus tem.
b) Afeições naturais: É a capacidade que o homem tem de ligar-se emocionalmente e afetivamente a outros seres e coisas. Deus tem esta capacidade.
c) Liberdade moral: Capacidade que o homem tem de fazer as coisas obedecendo a princípios morais.
d) Espiritualidade: A Escritura diz que o homem foi criado "alma vivente" (Gn 2.7). É a natureza imaterial do homem. Deus é espírito, e num certo sentido, o homem tem traços desta espiritualidade.
e) Imortalidade: Depois de criado, o homem não deixa mais de existir. A morte não é para o corpo, mas para o homem. Morte é separação e não cessação de existência. A imortalidade é essencial para Deus (1Tm 6.16). O homem, num caráter secundário derivado, passa a ter a imortalidade.

2 - A queda e a Imagem Desfigurada
Como sabemos, este estado de integridade (“posso não pecar”) não foi mantido até o fim pelos nossos primeiros pais. Veio a desobediência e consequentemente a queda. Nossos primeiros pais, criados para refletir e representar Deus não passaram no teste. Provados, caíram e deformaram a imagem de Deus neles.
Podemos fazer a seguinte pergunta: Quando o homem caiu, perdeu ele totalmente a Imago Dei (imagem de Deus)?
Respondemos que em seu aspecto estrutural ou ontológico (aquilo que o homem é), não foi eliminado com a queda, o homem continuou homem, mas após a queda, o aspecto funcional (aquilo que o homem faz) da imago Dei, seus dons, talentos e habilidades passaram a ser usados para afrontar a Deus.
Para Calvino, a imagem de Deus não foi totalmente aniquilada com a Queda, mas foi terrivelmente deformada. Ele descreveu esta imagem depois da queda como “uma imagem deformada, doentia e desfigurada” (6).
O homem antes criado para refletir Deus, agora após a queda, precisa ter esta condição restaurada. Restauração esta que se estenderá por todo o processo da redenção. Esta renovação da imagem original de Deus no homem significa que o homem é capacitado a voltar-se para Deus, a voltar-se para o próximo e também voltar-se para a criação para governá-la.
3 – Cristo e a Imagem Renovada
Num sentido, como já dissemos, o homem ainda é portador da imagem de Deus, mas também num sentido, ele precisa ser renovado nesta imagem.
Esta restauração da imagem só é possível através de Cristo, porque Cristo é a imagem perfeita de Deus, e o pecador precisa agora tornar-se mais semelhante a Cristo. Lemos em Cl. 1.15 "Ele é a imagem do Deus invisível" e em Romanos 8.29 que Deus nos predestinou para sermos "Conforme a imagem de Seu Filho ..." (1Jo 3.2; 2Co 3.18)

4 – A Imagem Aperfeiçoada
A completação da perfeição dos cristãos será a participação da final glorificação de Cristo Jesus. Não somos apenas herdeiros de Deus, mas também co-herdeiros com Cristo, “Se com ele sofremos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8.17). Não podemos pensar em Cristo separado de seu povo, nem de seu povo separado dele. Assim será na vida futura: a glorificação dos cristãos ocorrerá junto com a glorificação do Senhor Jesus. É exatamente isto que Paulo nos ensina em Cl 3.4:
“Quando Cristo que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, em glória”.
A glorificação é voltar à perfeição com a qual fomos criados por Deus, é voltar a imagem de Deus. Este é o propósito último de nossa redenção. Esta perfeição da imagem será o auge, a consumação do plano redentivo de Deus para o seu povo. E isto só é possível em Cristo.
Em Cristo, o eleito não apenas volta ao que era Adão antes de pecar, mas vai um pouco mais à frente:
Note as palavras de Anthony Hoekema:
Devemos ver o homem à luz de seu destino final (...) Adão ainda podia perder a impecabilidade e bem aventurança, mas aos santos glorificados isso não poderá mais ocorrer. Adão era "Capaz de não pecar e morrer"(posse non peccare et mori), os santos na glória, porém "não serão capazes de pecar e morrer" (non posse peccare et mori). Esta perfeição, que não se poderá perder, é aquilo para o qual o homem foi destinado e nada menos do que isto (7)
Sabemos que os santos glorificados, em seu estado final não vão pecar nem morrer. Várias passagens das Escrituras nos garantem isto. (Is 25.8; 1Cor 15.42,54; Ef 5.27; Ap 21.4)
Paulo em sua carta aos Efésios nos ensina que o propósito de Deus para sua igreja, é apresentá-la “a si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (cf. Ef 5.27)
Nesta dispensação, até a Segunda Vinda de Cristo, carregamos conosco, conforme lemos em 1Cor 15.49, a “imagem do que é terreno”, mas na glorificação, teremos plena e perfeitamente a “imagem do celestial”, ou seja, a imagem de Cristo. No porvir, nossa vida será gloriosa, porque teremos a imagem de Cristo, seremos como Ele é, e Cristo sendo a imagem de Deus, teremos a imagem de Deus de volta em nós de forma completa e perfeita.
Calvino comentando este texto de 1Co 15.49 diz:
Pois agora começamos a exibir a imagem de Cristo, e somos transformados nela diária e paulatinamente; porém esta imagem depende da regeneração espiritual. Mas depois seremos restaurados à plenitude, que em nosso corpo, quer em nossa alma, o que agora teve início será levado à completação, e alcançaremos, em realidade, o que agora esperamos (8).
Note ainda as palavras de João: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque havemos de vê-lo como ele é” (1Jo 3.2).
O que João nos diz, é que, na ocasião da Segunda Vinda de Cristo, seremos assemelhados a Ele, perfeita e completamente. E como Cristo é a imagem de Deus invisível, os santos glorificados terão a imagem de Cristo. Isto significa dizer que a nossa imagem na glorificação, será restaurada à imagem de Deus. Esta semelhança a Deus e a Cristo é o propósito final da nossa redenção, ou seja, a glorificação.
Por enquanto, a imagem de Cristo em nós está em processo contínuo conforme nos diz Paulo em 2Co 3.18 que estamos “sendo transformados de glória em glória” , mas após a nossa ressurreição, poderemos refletir a perfeição desta imagem, que Deus começou em nós, e assim, só então, poderemos ser tudo aquilo para o qual fomos destinados pelo Pai.
Neste processo de restauração da imagem de Deus em nós, através de Cristo, chamamos de santificação que é a “conformidade progressiva à imagem de Cristo aqui e agora (...); a glória é a conformidade perfeita a imagem de Cristo lá e então, Santificação é a glória começada; glória é a santificação completada” (9)
Gerrit C. Berkouwer, teólogo holandês, nos mostra que a verdadeira imagem de Deus se pode conseguir apenas em Jesus Cristo que é a imagem perfeita de Deus. Ser renovado á imagem de Deus é tornar-se parecido com Jesus (10).
Todo o povo de Deus, de todas as nações, tribos, línguas, estará então com Deus por toda a eternidade, glorificando a Deus pela adoração, serviço e louvor. Todos nossos atos serão enfim feitos sem pecado com perfeição e aí o propósito que Deus estabeleceu para seus remidos terá sido alcançado.

A Imagem de Deus para João Calvino (1509 - 1564) -
Veja como Calvino responde ás seguintes questões sobre a Imagem de Deus:
1 - Onde situa-se a imagem de Deus no homem?
R: Segundo Calvino, ela é encontrada fundamentalmente na alma do homem.
2 - Em que constitui originalmente a imagem de Deus?
R: Com base em Cl 3.10 e Ef 4.24, Calvino conclui que a imagem de Deus no homem incluía originalmente o verdadeiro conhecimento, justiça e santidade.
3 - Existe algum aspecto sob o qual o homem decaído ainda é a imagem de Deus?
R: Antes da queda, de acordo com Calvino, o homem possuía a imagem de Deus em sua perfeição. A queda, contudo, teve um efeito devastador sobre esta imagem. A imagem de Deus não é totalmente aniquilada pela queda, mas é terrivelmente afetada, deformada.
4 - O que a queda fez à imagem de Deus?
R: O que aconteceu foi que quaisquer dons ou habilidades que o homem reteve, tais como razão e a vontade foram pervertidos e deturpados pela queda. Todas as suas faculdades estão viciadas e corrompidas.
5 - Como a imagem de Deus é renovada no homem?
R: Para Calvino, esta imagem é restaurada pela fé e começa na conversão. É a nossa conformação com a pessoa de Cristo. Isto é uma obra da graça de Deus que se inicia na regeneração e progressivamente termina na glorificação dos santos.
6 - Quando será completada a renovação da imagem de Deus?
R: Calvino responde: Na vida por vir. Seu esplendor pleno será alcançado apenas no céu.

NOTAS
(1) Tertuliano (160-225); Orígenes e Clemente de Alexandria (Ver Hoekema: Criados á Imagem de Deus (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 1999), 46-8.

(2) Santo Agostinho, citado por Hoekema, op cit, p. 98.

(3) L. Berkhof, Teologia Sistemática (São Paulo: Luz para o Caminho, 1990), 206.
(4) Gerard Van Groningen, Revelação Messiânica no Velho testamento (Luz para o caminho: Campinas) 1995.
(5) Extraído adaptado de Apostila do Dr. Héber C. de Campos.
(6) As Institutas, I, XV, 3.
(7) Anthony Hoekema - Criados Á Imagem de Deus (São Paulo, Ed. Cultura Cristã , 1999), 108.
(8) João Calvino, Comentário de I Coríntios , (Edições Paracletos, São Paulo, 1996), 488.
(9) F. F. Bruce, citado por Geoffrey B. Wilson, Romanos - Um Resumo de Pensamento Reformado, (SP - PES) 130.
(10) G.C.Berkouwer, Man, The image of God, p. 107.

EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO DA MATÉRIA
1) O que significa dizer que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus?
2) “Imagem” e “Semelhança” são termos que querem dizer a mesma coisa ou coisas diferentes?
3) Segundo Berkhof, em que consiste a integridade original da natureza do homem?
4) Como o homem reflete a Imagem de Deus?
5) Com a queda, o homem perdeu a imagem de Deus? Justifique:
6) Como a imagem de Deus é renovada no homem?


Rev. Gildásio Reis, Pastor da Igreja Presbiteriana de Osasco, Psicanalista Clínico, Mestre em Teologia pelo centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (Educação Cristã) e Professor de Teologia Pastoral no Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição.


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Qual a principal proposta da teologia reformada?


R.: A principal proposta ou objetivo da teologia reformada é trazer à baila a autoridade da Palavra de Deus, que havia se perdido na idade média. A autoridade da Palavra para se pregar a sã doutrina e com isso combater as heresias. Se você prega a sã doutrina, consequentemente vai combater as heresias. Veja, no século 16, século dos reformadores, as seitas e heresias reinavam plenamente. A palavra foi substituída pela tradição e a fé pelas obras.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Calvinismo

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Calvinismo

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Calvinismo
John Calvin.jpg
João Calvino
Bases históricas:
Marcos:
Influências:
Igrejas:
calvinismo (também chamado de Tradição ReformadaFé Reformada ou Teologia Reformada) é tanto um movimento religioso protestante quanto um sistema teológico bíblico com raízes na Reforma Protestante, iniciado por João Calvino em Genebra no século XVI. A Tradição Reformada foi desenvolvida, ainda, por diversos outros teólogos como Martin BucerHeinrich BullingerPietro Martire Vermigli e Ulrico Zuínglio.[1]Apesar disso, a Fé Reformada costuma levar o nome de Calvino, por ter sido ele seu grande expoente.[2]Atualmente, o termo também se refere às doutrinas e práticas das Igrejas Reformadas.[3] O sistema costuma ser sumarizado através dos cinco pontos do calvinismo.
Calvinistas romperam com a Igreja Católica Romana, mas diferiam dos luteranos na doutrina sobre a presença real de Cristo na Eucaristia, Princípio regulador do culto e o uso da lei de Deus para os crentes, entre outras coisas.[4][5]
O termo calvinismo pode ser enganoso, pois a tradição religiosa que por ele é identificada sempre foi diversificada, com uma vasta gama de influências, em vez de um único fundador. O movimento calvinista foi chamado pela primeira vez calvinismo pelos luteranos que se opunham ao calvinismo, e muitos dentro da tradição preferem usar o termo Reformado para o descrever.[6][7]
A maior associação Reformada no mundo é a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas com mais de 80 milhões de membros em 220 denominações em todo o mundo.[8][9] Outras organizações reformadas internacionais são a Fraternidade Reformada Mundial e a Conferência Internacional das Igrejas Reformadas.

História

A influência de João Calvino

João Calvino exerceu uma influência internacional no desenvolvimento da doutrina da Reforma Protestante, à qual se dedicou com a idade de 30 anos, quando começou a escrever a Instituição da Religião Cristã em 1534 (publicado em 1536). Esta obra, que foi revista várias vezes ao longo da sua vida, em conjunto com a sua obra pastoral e uma coleção maciça de comentários sobre a Bíblia, são a fonte da influência permanente da vida de João Calvino no protestantismo.[10]
Para Bernardye Cotitretw, biógrafo de Calvino, o calvinismo é o legado de Calvino e torna-se uma forma de disciplina, de ascese, que raramente é levada ao extremo da teimosia. O calvinista é, pois, no extremo, um profundo conhecedor da Bíblia, que pondera todas as suas ações pela sua relação individual com a moral cristã. O calvinismo é também o resultado de uma evolução independente das ideias protestantes no espaço europeu de língua francesa. O termo "calvinismo" foi aparentemente usado pela primeira vez em 1552, numa carta do pastor luterano Joachim Westphal, de Hamburgo.

A difusão da Fé Reformada

O calvinismo marca a segunda fase da Reforma Protestante, quando as igrejas protestantes começaram a se formar, na sequência da excomunhão de Martinho Lutero da Igreja Católica Romana. Neste sentido, o calvinismo foi originalmente um movimento luterano. O próprio Calvino assinou a Confissão Luterana de Augsburg de 1524. Por outro lado, a influência de Calvino começou a fazer sentir-se na Reforma Suíça, que não foi luterana, tendo seguido a orientação conferida por Ulrico Zuínglio. Tornou-se evidente que a doutrina das igrejas reformadas tomava uma direção independente da de Lutero, graças à influência de numerosos escritores e reformadores, entre os quais Ulrico Zuínglio , João CalvinoMartin BucerWilliam FarelHeinrich BullingerPietro Martire VermigliTeodoro de Beza, e John Knox.
Uma vez que tem múltiplos fundadores, o nome "calvinismo" induz ligeiramente ao equívoco, ao pressupor que todas as doutrinas das igrejas calvinistas se revejam nos escritos de João Calvino. O nome aplica-se geralmente às doutrinas protestantes que não são luteranas e que têm uma base comum nos conceitos calvinistas, sendo normalmente ligadas a igrejas nacionais de países protestantes, conhecidas como Igrejas Reformadas, ou a movimentos minoritários de reforma protestante.
Nos Países Baixos, os calvinistas estabeleceram a Igreja Reformada Neerlandesa. Na Escócia, através da zelosa liderança do ex-sacerdote católico John Knox, a Igreja da Escócia foi estabelecida segundo os princípios calvinistas. Na Inglaterra, o calvinismo também desempenhou um papel na Reforma, e, de lá, seguiu com os puritanos para a América do Norte. Na França, os calvinistas, chamados de huguenotes, foram perseguidos, combatidos e muitas vezes obrigados ao exílio. Em Portugal, na Espanha ou na Itália, estas doutrinas tiveram pouca divulgação e foram ativamente combatidas pelas forças da contrarreforma, com a ação dos jesuítas e da Inquisição.
O sistema teológico e as práticas da Igreja, da família ou na vida política, todas elas algo ambiguamente chamadas de "calvinismo", são o resultado de uma consciência religiosa fundamental centrada na "soberania de Deus".
O calvinismo pressupõe que o poder de Deus tem um alcance total de atividade e resulta da convicção de que Deus trabalha em todos os domínios da existência, incluindo o espiritual, físico, intelectual, quer seja secular ou sagrado, público ou privado, no céu ou na terra. De acordo com este ponto de vista, qualquer ocorrência é o resultado do plano de Deus, que é o criador, preservador, e governador de todas as coisas, sem excepção, e que é a causa última de tudo. As atividades seculares não são colocadas abaixo da prática religiosa. Pelo contrário, Deus está tão presente no trabalho de cavar a terra como na prática de ir ao culto. Para o cristão calvinista, toda a sua vida é um culto a Deus.
De acordo com o princípio da predestinação, por causa de seus pecados, o homem perdeu as regalias que possuía e distanciou-se de Deus. O homem é considerado "morto" para as coisas de Deus e é dominado por uma indisposição para servir a Deus.
Só havia, então, uma maneira de resolver esse problema: o próprio Deus reatando os laços. Deus então, segundo a doutrina da predestinação, escolheu alguns dos seres humanos caídos para salvar da pecaminosidade e restaurar para a comunhão com Ele. Deus teria tomado esta decisão antes da criação do Universo. Mas é claro que não é por causa de quaisquer boas ações que eles foram escolhidos: "porque pela graça sois salvos,mediante a fé, e isso não vem de vós; é dom de Deus; não vem de obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8,9).
Os cinco pontos do calvinismo (conhecidos pelo acróstico TULIP, referente às iniciais dos pontos em inglês) são doutrinas básicas sobre a salvação, definidas pelo Sínodo de Dort, em resposta a uma dissidência dentro do calvinismo, cujo principal líder foi Jacob Armínio. São eles:
O calvinismo também defende uma Teologia Aliancista e os sacramentos como meio de graça, Santa Ceia e Batismo, incluindo o Batismo infantil. Calvino na sua principal obra, as Institutas diz: "Eis aqui por que Satanás se esforça tanto em privar nossas criaturas dos benefícios do batismo; Sua finalidade é que se esquecermos de testificar que o Senhor tem ordenado para confirmar as graças que ele quer nos conceder pouco a pouco vamos nos esquecendo das promessas que nos fez a respeito disto. De onde não só nasceria uma ímpia ingratidão para com a misericórdia de Deus, mas também a negligência de ensinarmos nossos filhos no temor do Senhor, e na disciplina da Lei e no conhecimento do Evangelho. Porque não é pequeno estímulo sabermos que devemos educá-los na verdadeira piedade e obediência a Deus. E saber que desde seu nascimento foram recebidos no Senhor e em seu povo, fazendo-os membros de sua Igreja" (CALVINO, 1999, p. 1069).
O calvinismo deveria ser austero e disciplinado, ou seja: as pessoas não tinham direito a excessos de luxo e conforto, sem esbanjamento matriana.

Doutrina

Revelação e as Escrituras

Teólogos reformados acreditam que Deus comunica o conhecimento de si mesmo para as pessoas através da Palavra de Deus. As pessoas não são capazes de saber nada sobre Deus, exceto através desta autorrevelação. A especulação sobre qualquer coisa que Deus não revelou através de sua Palavra não se justifica. Todavia, os calvinistas entendem que Deus é infinito, e as pessoas finitas são incapazes de compreender um ser infinito. Enquanto o conhecimento revelado por Deus nunca está incorreto, ele também nunca é completo.[11]
De acordo com teólogos reformados, a autorrevelação de Deus é sempre através de seu filho Jesus Cristo, porque Cristo é o único mediador entre Deus e as pessoas. A revelação de Deus através de Cristo vem através de dois canais básicos. O primeiro é a Criação e Providência, a chamada revelação natural, que é criar e continuar a trabalhar no mundo de Deus. Esta ação de Deus dá a todos o conhecimento sobre Ele, mas esse conhecimento só é suficiente para fazer todos os seres humanos culpados por seus pecados, porque ele não inclui conhecimento do evangelho. O segundo canal através do qual Deus se revela é a redenção, que é o evangelho da salvação da condenação que é castigo pelo pecado - esta é a revelação especial.[12]
Na teologia reformada, a Palavra de Deus assume diversas formas. O próprio Jesus Cristo é o Verbo encarnado. As profecias sobre ele podem ser encontradas no Antigo Testamento e no ministério dos apóstolos que o viram e comunicaram a sua mensagem, também são a Palavra de Deus. Além disso, a pregação dos ministros sobre Deus é a própria Palavra de Deus, porque Deus é considerado falando através deles. Deus fala também através de escritores humanos na Bíblia, que é composta de textos separado por Deus para a auto-revelação.[13] Teólogos reformados enfatizam a Bíblia como um meio excepcionalmente importante pelo qual Deus se comunica com as pessoas.[14]
Teólogos reformados afirmam que a Bíblia é verdadeira, mas as diferenças surgem entre eles sobre o significado e a extensão de sua veracidade.[15] Seguidores da escola conservadora dos teólogos Princeton, tais como a Igreja Presbiteriana do BrasilIgreja Presbiteriana Nacional no México e Igreja Presbiteriana na América, consideram que a Bíblia é verdadeira e infalível, ou incapaz de erro ou falsidade, em todos os lugares.[16] Este ponto de vista é muito semelhante ao do Catolicismo Ortodoxo, bem como o moderno Evangelicalismo. Um outro ponto de vista, influenciado pelo ensino de Karl Barth e a Neo-Ortodoxia, é encontrada na Confissão de 1967 da Igreja Presbiteriana (EUA). Aqueles que tomam este ponto de vista acreditam que a Bíblia é a principal fonte de nosso conhecimento de Deus.[17] Neste ponto de vista, Cristo é a revelação de Deus, e as Escrituras testemunham desta revelação ao invés de ser a própria revelação.[16] A opinião conservadora tem prevalecido nas últimas décadas, na medida em que as igrejas que aderem a visão tradicional da Bíblia como Palavra de Deus estão em crescimento, enquanto as igrejas que adotam a segunda visão, em declínio.

Pacto

Teólogos reformados usam o conceito de aliança para descrever a maneira como Deus entra comunhão com as pessoas na história.[18] O conceito de aliança é tão proeminente na teologia reformada que a teologia reformada como um todo é às vezes chamada de "teologia da aliança".[19] No entanto, teólogos do século XVI e XVII desenvolveram um sistema teológico particular chamado "teologia da aliança" ou "teologia federal" que muitas igrejas reformadas conservadoras continuam a afirmar nos dias de hoje.[20] Esse sistema estabelece uma divisão sobre a relação de Deus com as pessoas principalmente em dois pactos: o "pacto das obras" e o "pacto da graça".[21] O pacto das obras é feito com Adão e Eva no Jardim do Éden, onde Deus proveria uma vida abençoada no Jardim com a condição de que Adão e Eva obedecessem à lei Divina perfeitamente. Como Adão e Eva quebraram o pacto ao comer o fruto proibido, eles ficaram sujeitos à morte, foram banidos do jardim e o pecado foi transmitido a toda a humanidade. Teólogos federais geralmente inferem que Adão e Eva teriam ganho a imortalidade caso tivessem obedecido perfeitamente.[22]
O segundo pacto, chamado o pacto da graça, é dito ter sido feito imediatamente após o pecado de Adão e Eva. Nele, Deus graciosamente oferece a salvação da morte sob a condição de fé em Jesus Cristo. Este pacto é administrado em formas diferentes em todo o Antigo e Novo Testamentos, mas mantém a substância de ser livre de uma exigência de perfeita obediência.[23]

Deus

Para a maior parte da tradição reformada não houve modificação do consenso medieval sobre a doutrina de Deus.[24] O caráter de Deus é descrito usando principalmente três adjetivos: eterno, infinito e imutável[25]. Teólogos reformados como Shirley Guthrie propuseram que em vez de conceber a Deus em termos de seus atributos e liberdade para fazer o que quiser, a doutrina de Deus deve ser baseada no trabalho de Deus na história e sua liberdade para viver com e capacitar as pessoas.[26]
Tradicionalmente, teólogos reformados também seguiram a tradição medieval que remonta aos conselhos da Igreja primitiva de Niceia e Calcedônia na doutrina da Trindade. Deus é um Deus em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. O Filho (Cristo) é detido para ser eternamente gerado pelo Pai e o Espírito Santo procede eternamente do Pai e Filho.[27] No entanto, os teólogos contemporâneos têm sido críticos de aspectos de pontos de vista ocidentais. Com base na tradição cristã oriental, estes teólogos reformados propuseram uma "Trindade Social", onde as pessoas da Trindade só existem em sua vida juntos como pessoas-em-relação.[27] Confissões reformadas contemporâneas como a Confissão de Barmen e as declarações da Igreja Presbiteriana (EUA)têm evitado a linguagem sobre os atributos de Deus e têm enfatizado seu trabalho de reconciliação e de capacitação das pessoas.[28] O Teólogo reformado conservador Michael Horton, no entanto, argumentou que o trinitarianismo social é insustentável porque abandona a unidade essencial de Deus em favor de uma comunidade de seres separados em comunidade.[29]

Criação e Expiação

Teólogos reformados afirmam a crença cristã histórica de que Cristo é eternamente uma pessoa com uma natureza divina e uma natureza humana. Reformadores cristãos especialmente enfatizam que Cristo verdadeiramente se tornou humano para que as pessoas pudessem ser salvas.[30] A natureza humana de Cristo tem sido um ponto de discórdia entre a cristologia Reformada e Luterana. De acordo com a crença de que os seres humanos finitos não podem compreender a Divindade infinita, teólogos reformados asseguram que o corpo humano de Cristo não pode estar em vários locais ao mesmo tempo. Porque luteranos creem que Cristo é corpo presente na Eucaristia, eles sustentam que Cristo é corpo presente em muitos locais simultaneamente. Para os cristãos reformados, tal crença nega que Cristo realmente se tornou humano.[31]
João Calvino e muitos teólogos reformados que o seguiram descrevem a obra da redenção de Cristo, em termos de três ofícios: profeta, sacerdote e rei. Cristo é dito ser um profeta que ensina a doutrina perfeita, sacerdote que intercede ao Pai em favor dos crentes e se ofereceu como sacrifício pelo pecado, e um rei que governa a Igreja e luta pelos crentes. O ofício tríplice vincula a obra de Cristo com a obra de Deus no antigo Israel.[32]
Os cristãos acreditam que a morte e ressurreição de Jesus torna possível para os crentes alcançar o perdão dos pecados e reconciliação com Deus por meio da expiação. Reformadores protestantes geralmente inscrevem-se a uma visão particular da expiação chamada expiação substitutiva, o que explica a morte Cristo como um pagamento de sacrifício pelo pecado. Acredita-se que Cristo morreu no lugar do crente, que é considerado justo como resultado desse pagamento sacrificial.[33]

Pecado

Na teologia cristã, as pessoas são criadas boas e à imagem de Deus, mas se tornaram corrompidos pelo pecado, o que faz com que sejam imperfeitos e excessivamente autointeressadas.[34] Cristãos reformados, seguindo a tradição de Agostinho de Hipona, acreditam que este corrupção da natureza humana foi causada pelo primeiro pecado de Adão e Eva, a doutrina chamada Pecado original. Teólogos reformados enfatizam que este pecado afeta toda a natureza de uma pessoa, incluindo a sua vontade. Sob esta visão o pecado domina as pessoas de forma que são incapazes de evitar o pecado, tem sido chamado de depravação total.[35] Em Português, o termo "depravação total" pode ser facilmente mal interpretada para significar que as pessoas estão ausentes de qualquer bondade ou incapazes para fazer qualquer bom. No entanto, o ensino Reformado na verdade é que, enquanto as pessoas continuam a suportar algo da imagem de Deus, podem fazer coisas que são exteriormente boas, mas suas intenções pecaminosas afetam toda a sua natureza e ações pelo que eles não são totalmente agradáveis a Deus.[36] Talvez, em português, fosse melhor usar a expressão "depravação GERAL" ao invés de "total", para entender que toda a natureza foi afetada, que é o que pretende a expressão original.

Interpretação sociológica

Sociólogos como Max Weber e Ernest Gellner analisaram a teoria e as consequências práticas desta doutrina e chegaram à conclusão de que os resultados são paradoxais. Em parte explicam o precoce desenvolvimento do capitalismo nos países onde o calvinismo foi popular (HolandaEscócia e Estados Unidos, sobretudo).
O calvinista acredita que Deus é Soberano em todas as coisas e, portanto, o homem não tem participação alguma na própria salvação, logo, Deus predestinou os seus escolhidos para a salvação, uma vez que a humanidade após o pecado não teria condições de se voltar ao Criador por estarem mortos em seus pecados e delitos. O calvinista não tem dúvidas de sua salvação, e nem por isso se acha parte de um grupo seleto, pelo contrário, o calvinismo atuou de forma forte na Reforma Protestante levando o Evangelho para todas as pessoas. Cabe apenas a Deus o saber de todas as coisas e quem são seus eleitos, os calvinistas seguem as Escrituras e pregam a todos e seguem o mandamento do Senhor Jesus de pregar o Evangelho.
Sendo um bom cristão, trabalhando muito, seguindo sempre todos os princípios bíblicos, o calvinista faz tudo para a glória de Deus. Com essa cosmovisão, por meio do trabalho a sociedade se desenvolveu economicamente fazendo com que houvesse uma ligação com o capitalismo.
Os holandeses, os escoceses e os americanos ganharam, então, a fama de serem sovinas, pouco generosos, interessados apenas no dinheiro. Estas características são na vida moderna quase um dado adquirido em qualquer cultura, mas nos tempos da Reforma Protestante, o calvinismo terá instituído uma nova e revolucionária forma de relação com a riqueza.
Ocorre que o uso dos ideais calvinistas para o alavancar da sociedade capitalista é equivocadamente relacionado a ideais capitalistas intrínsecos ao calvinismo. Calvino em sua obra afirma que a riqueza não tem razão de ser se não para ajudar aos que necessitam, e critica a avareza ao dizer que o fruto do trabalho só é digno se útil ao próximo:
"Da mão de Deus tens tu o que possuis. Tu, porém, deverias usar de humanidade para com aqueles que padecem necessidades. És rico? Isso não é para teu bel prazer. Deve a caridade faltar por isso? Deve ela diminuir? Não está ela acima de todas as questões do mundo? Não é ela o vínculo da perfeição?"; [37]
"Condena o Profeta a estes ladrões e assaltantes que lhe parecia deterem o poder de oprimir a gente pobre e o pequeno trabalhador, uma vez que eram eles que tinham grande abundância de trigo e grãos;... é o mesmo como se cortassem a garganta dos pobres, quando os fazem assim sofrer fome[38].
Mas o calvinismo se espalhou pelos países que estavam passando pelo processo da Expansão Comercial. Entre eles os países eram: FrançaHolandaInglaterra, e Escócia. Isto atraíra vários comerciantes e banqueiros.

Demografia

Um relatório de 2011 do Pew Forum on Religious e Vida Pública estima que os membros de igrejas reformadas e presbiterianas (dois maiores ramos do calvinismo) representam 7% dos cerca de 801 milhões de protestantes no mundo, ou cerca de 56 milhões de pessoas. [39] Embora a fé reformada amplamente definida é muito maior, uma vez que constitui congregacionais (0,5%), a maioria das Igrejas Unidas (sindicatos de diferentes denominações) (7,2%) e, provavelmente, algumas das outras denominações protestantes (38,2%). Todos os três são categorias distintas de Presbiterianos/Reformados (7%) neste relatório.
A família reformada de igrejas é uma das maiores denominações cristãs. De acordo com adherents.com os reformados/presbiterianos/congregacionais/ igrejas unidas representam 75 milhões de crentes no mundo.